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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Desmatamento indireto' na Amazônia

Ao defender a construção de hidrelétricas na Amazônia, o governo federal costuma citar o argumento de que essas usinas são menos poluentes e mais baratas que outras fontes energéticas capazes de substituí-las.

Entre ambientalistas e pesquisadores, porém, há cada vez mais vozes que contestam a comparação e afirmam que o cálculo do governo ignora custos e danos ambientais indiretos das hidrelétricas. Para alguns, esses impactos colaterais influenciaram no aumento da taxa de desmatamento da Amazônia neste ano.

Há duas semanas, o governo anunciou que, entre agosto de 2012 e julho de 2013, o índice de desflorestamento na Amazônia cresceu 28% em relação ao mesmo período do ano anterior, a primeira alta desde 2008.

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Paulo Barreto, pesquisador sênior da ONG Imazon, atribui parte do aumento ao desmatamento no entorno das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia, e da usina de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará.

Segundo ele, as hidrelétricas atraem migrantes e valorizam as terras onde são implantadas. Sem fiscalização e punição eficientes, diz ele, moradores se sentem encorajados a desmatar áreas públicas para tentar vendê-las informalmente.

No caso de Belo Monte, Barreto afirma que o desmatamento em torno da usina seria menor se o governo tivesse seguido a recomendação do relatório de impacto ambiental da obra para criar 15 mil km² de Unidades de Conservação na região.

Uma pesquisa do Imazon, da qual Barreto é coautor, estima que o desmatamento indireto causado pela hidrelétrica atingirá 5.100 km² em 20 anos, dez vezes o tamanho da área a ser alagada pela barragem.

Na bacia do Tapajós (PA), onde o governo pretende erguer uma série de usinas, ele diz a área desmatada indiretamente chegará a 11 mil km².

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Fórmula do desmatamento
O engenheiro Felipe Aguiar Marcondes de Faria desenvolve em seu projeto de PhD na Universidade Carnegie Mellon (EUA) uma fórmula complexa. Ele pretende incluir os efeitos indiretos da construção de hidrelétricas na Amazônia - como o desflorestamento gerado por imigração ou especulação fundiária - no cálculo das emissões de carbono das obras.

A conta, que mede a liberação de gases causadores do efeito estufa, normalmente leva em conta somente as emissões geradas pela perda de vegetação e pela degradação da biomassa na área inundada pelas barragens.

"Se a construção de uma hidrelétrica implicar taxas de desmatamento superiores às de locais onde não existem tais investimentos, nós poderemos acrescentar esse desmatamento extra ao balanço de carbono do projeto".

O pesquisador diz ainda que, além de valorizar terras e atrair imigrantes, a construção de hidrelétricas pode estimular o desmatamento ao melhorar as condições de acesso à região, expondo florestas antes inacessíveis.

Faria também questiona os cálculos que exaltam o baixo preço das hidrelétricas em comparação com outras fontes de energia. "As diferenças não consideram adequadamente os custos socioambientais desses empreendimentos".

Ainda assim, avalia que o Brasil não pode excluir a hidroeletricidade de seus planos de expansão do sistema energético. Para ele, a modalidade oferece grandes vantagens em relação a outras fontes de energia, como flexibilidade para atender à variação da demanda e dispensa de importação de matérias-primas.

Faria defende, no entanto, que o governo mude sua postura quanto às hidrelétricas na Amazônia.

"O desenvolvimento hidrelétrico na Amazônia deveria ser visto não como uma barragem no rio, mas sim como uma chance de criar um novo paradigma de desenvolvimento sustentável para uma região, que crie condições para a manutenção das unidades de conservação e terras indígenas, investimentos em educação e ciência e melhora na saúde da população."

Porém, para o procurador-chefe do Ministério Público Federal no Pará, Daniel César Azeredo Avelino, a construção de hidrelétricas na Amazônia não tem sido acompanhada pela manutenção de áreas protegidas.

Nos últimos anos, o governo reduziu Unidades de Conservação para facilitar o licenciamento das hidrelétricas no rio Madeira e das futuras usinas no Tapajós. Segundo ele, simples sinalizações de que se pretende reduzir essas áreas já motivam o desmatamento.

Em 2012, diz Avelino, um mês após jornais divulgaram que o governo estudava diminuir a Floresta Nacional Jamanxim, no sudoeste do Pará, houve um surto de desmatamento na região.

"Quando se fala em reduzir Unidades de Conservação para hidrelétricas, alimenta-se a ideia de que poderá haver novas reduções, o que encoraja o desmatamento."

Governo responde
No entanto, segundo Francisco Oliveira, diretor do Departamento de Combate ao Desmatamento do Ministério Ambiente, a destruição dentro de áreas protegidas corresponde a menos de 10% do desflorestamento na Amazônia.

Quanto ao desmatamento recente no Pará e em Rondônia, diz que não se deveu necessariamente às hidrelétricas. Oliveira afirma que o desflorestamento em um raio de 50 quilômetros de Belo Monte passou de 380 km², em 2011, para 41 km² em 2013.

Em Rondônia, ele diz que também tem havido redução no ritmo do desmate em áreas próximas às usinas.

Segundo Oliveira, as principais causas para o maior desmatamento na Amazônia no último ano foram: no Pará, a apropriação ilegal de terras (grilagem) na região de Novo Progresso; no Mato Grosso, a expansão da agropecuária; e em Rondônia, a expansão da pecuária.

Oliveira afirma, porém, que, apesar da alta, o índice de desflorestamento em 2013 foi o segundo menor desde que começou a ser medido, há 25 anos.

BBC João Fellet

Em Brasília

domingo, 24 de novembro de 2013

ONGs apontam fracasso e deixam a cúpula do clima


O resultado da conferência do clima de Varsóvia, na Polônia, que está em sua reta final, deveria ser pavimentar o caminho para o acordo climático global de 2015, a ser assinado em Paris. Ninguém esperava mais do que isso. A horas do seu término, contudo, o evento só produzia frustração e impaciência, além de aprofundar as diferenças de sempre entre países industrializados e países em desenvolvimento.

Em uma decisão sem precedentes na história dessas conferências, as maiores ONGs que participam ativamente deste processo resolveram se retirar. Foram mais de 700 ativistas das 13 maiores ONGs do mundo – incluindo Greenpeace, WWF e Oxfam – saindo no começo da tarde do Estádio Nacional de Varsóvia, onde, desde a semana passada, acontece a COP-19. Eles usavam uma camiseta branca onde se lia “Polluters talk, we walk” (“poluidores conversam, nós vamos embora”).

“A conferência do clima de Varsóvia, que deveria ser um passo importante rumo à transição para um futuro sustentável, está a caminho de não produzir absolutamente nada”, disseram, em comunicado conjunto.

“Eles parecem não entender o que diz a ciência e estão fora da realidade”, disse Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace, referindo-se aos negociadores.
“Fomos forçados a tomar esta decisão em função do fracasso dos governos em levar estas discussões a sério. Não estamos saindo do processo, só desta conferência de Varsóvia, onde os interesses das indústrias mais poluidoras estão ficando acima das necessidades dos cidadãos globais”, disse Samantha Smith, do WWF.

Isso foi um péssimo sinal para as negociações, que começaram sob o impacto do tufão das Filipinas e, até ontem, continuavam no impasse da criação de um mecanismo de perdas e danos para os países que sofrem fortes impactos da mudança do clima.

A grande reunião no país do setor de carvão, que coincidiu com a conferência no início da semana, só produziu mais controvérsias. A demissão, na quarta-feira, de Marcin Korolec, ministro do Meio Ambiente da Polônia, enfraqueceu ainda mais o evento.

“De tempos em tempos, nessas negociações, pessoas ou delegações se retiram. Mas temos que respeitar a decisão das ONGs. É a expressão de sua frustração e impaciência com esse processo”, disse Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. “Essas ONGs, que gastaram anos e dinheiro acompanhando estas conferências, têm o direito de estar aqui, têm o direito de sair e a oportunidade de poder voltar.”

No campo das negociações, as diferenças entre os países continuavam a aflorar. Os industrializados buscavam colocar as economias emergentes em seu mesmo patamar, para o acordo de 2015. Brasil, China, Índia e África do Sul resistiam, dizendo que negociavam sob a Convenção da Mudança do Clima e seus princípios.

Os recuos dos compromissos australianos e japoneses em suas metas de redução, anunciados na semana passada, repercutiram negativamente, assim como a falta de recursos e dúvidas se o encontro iria conseguir avançar no mecanismo de perdas e danos para os países mais afetados pelos impactos da mudança do clima.

“O novo acordo global, a ser assinado em Paris, em 2015, englobará todos os países e será legalmente vinculante para todos”, assegurou o ministro das Relações Exteriores Luiz Alberto Figueiredo Machado, em entrevista coletiva ao chegar à COP-19.
“O que não está no texto, e é por isso que estamos negociando, é a diferença entre estas obrigações”, prosseguiu. “O que se pode ter são diferentes tipos de obrigações para países ou grupos de países”, disse. “Alguns, por exemplo, podem ter a obrigação de dar recursos financeiros, e outros, não. Ou seja, todos terão compromissos, mas eles podem ser diferentes.”

“Definitivamente, países em desenvolvimento como a China terão metas de emissão. Mas não conseguimos ter metas que limitem emissões, apenas compromissos relacionados à intensidade de energia. Isso é um assunto econômico”, disse Liu Zhenmin, primeiro vice-chefe da delegação chinesa e vice-ministro das Relações Exteriores da China em entrevista a alguns jornalistas em Varsóvia. “Somos um país em desenvolvimento, queremos ser desenvolvidos, mas para isso vai levar tempo ainda.”

Liu concluiu: “Somos uma grande economia, mas ainda estamos no processo de desenvolvimento. Estamos tentando lidar com o aumento do consumo energético buscando aumentar nossa eficiência energética. Mas a China ainda está em processo de industrialização, e no processo de aumentar suas emissões.”

Por: Daniela Chiaretti
Fonte: Valor Econômico

Agricultores denunciam assentamento fantasma criado pelo Incra


Dezenas de agricultores invadiram sede do Incra para cobrar providências.


Dezenas de agricultores invadiram sede do Incra para cobrar providências
Dezenas de agricultores invadiram sede do Incra
Lideranças de 28 comunidades da região do Rio Mojú, no município de Mojuí dos Campos, no Oeste do Pará,em protesto pacifico invadiram a sede da Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), por volta de 10h30, de terça-feira, 19. Os agricultores reivindicaram que o Governo Federal devolva as terras de um assentamento criado recentemente pelo Incra naquela região, o qual denominaram de “assentamento fantasma”.


Por volta de 10h40, com a ausência do atual superintendente do INCRA, Luiz Bacelar, os agricultores foram atendidos pelo superintendente adjunto Adalberto Anequino. Depois de muita conversa e questionamentos feitos pelos agricultores e de lideranças, ficou acertado que no dia 04 de dezembro próximo, um grupo liderado pelo prefeito de Mojuí dos Campos, Jailson Alves e de lideranças devem se reunir na Capital Federal, para um encontro com o presidente do INCRA.


O prefeito Jailson Alves, bem como os presidentes de sindicatos e Câmara Municipal de Mojuí dos Campos devem chegar a um acordo, junto ao Incra, para beneficiar a população rural.


De acordo com o prefeito de Mojuí dos Campos, Jailson Alves (PSDB), a criação do Projeto de Assentamento Coletivo (PAC), na Comunidade de Bom Sossego não é viável, principalmente porque já há o projeto do PA I e II, no mesmo local e, que foi implantado na região há alguns anos. “Já existe um abaixo-assinado para que o Incra não crie um assentamento fantasma na região”, avisa.


Jailson reforça que o movimento foi pacífico e, que hoje, Mojuí conta com cerca de 120 comunidades. “Vieram lideranças de várias comunidades. O Incra criou um assentamento irregular, mas o povo quer que as comunidades sejam atendidas pelo programa do Governo Federal, o Terra Legal”, diz.


ABAIXO-ASSINADO: Aproximadamente 200 moradores de 28 comunidades da região do Rio Moju, no planalto santareno participaram da manifestação, na sede do incra. Na ocasião, eles entregaram um abaixo-assinado com mais de 700 assinaturas ao superintendente adjunto do Instituto demonstrando que são contra o PAC.


Segundo o presidente da Associação dos Projetos Rurais da Região do Rio Moju (Asproprios), Antônio Zezithe de Sousa, a reivindicação foi também para solicitar a regularização das terras em que vivem. “Desde 2006 estamos lutando contra esse assentamento [PAC]. Criamos a associação para lutar contra esse projeto porque não tem progresso, ninguém pode crescer dentro de assentamento coletivo, ninguém pode ter fazenda, criações, e como vamos crescer assim?”, questiona.


Uma cópia do documento também foi enviada ao Ministério Público Federal (MPF. Caso as reivindicações não sejam atendidas, os agricultores prometem voltar a cidade e fazer uma manifestação maior.


INCRA NA UTI: Além do protesto dos agricultores, funcionários do Incra também protestaram contra os desmandos cometidos em termos de logística de trabalho. Em uma faixa exposta na entrada do prédio, na Avenida Presidente Vargas, no bairro do Caranazal, os funcionários do Incra colocaram a seguinte frase: “A gestão das terras do País precisa ser resgatada. O Incra está na UTI”, diz a faixa do Sindicato Nacional dos Peritos Federais Agrários (Sindipfa).


Fonte: RG 15/O Impacto

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

NOTICIA DA IGREJA

Cresce o número de seminaristas ‘militares’ nos EUA.

 

bandeira-dos-eua-asteada-1332297191Segundo a postagem do Blog Carmadélio (18/11/13), da Comunidade Shalom, embora o Ordinariato Militar dos EUA atenda ao cuidado catequético e pastoral de cerca de 1,8 milhões de pessoas – incluindo os membros das Forças Armadas, veteranos, contratistas do Departamento de Defesa, funcionários do serviço civil, e suas famílias, ao redor do mundo – este ministério não recebe financiamento do governo federal. Além disso, nas coletas semanais nas capelas militares dos EUA não chegam aos cofres do Ordinariato Militar, pois elas são distribuídas de acordo com os regulamentos de financiamentos militares.
Por isso, por volta de $5,1 milhões de dólares do orçamento anual desta Arquidiocese militar, devem ser cobertos por doações privadas.
Os importantes e necessários trabalhos apostólicos do Ordinariato se desenvolvem em 220 instalações militares em 29 países, 153 centros médicos e zonas de operações e navios de guerra. E para realizá-las conta apenas com 234 sacerdotes.
A notícia ainda afirma que em contrapartida, há boas notícias. Primeiro, que o número de vocações para a capelania militar tem crescido nos últimos tempos.
Segundo dados, desde 2008, o número de seminaristas aumentou de 7 para 36. Influi neste crescimento um programa conjunto entre a Arquidiocese Militar e as jurisdições locais, que fazem com que a formação dos capelães militares seja compartilhada, de tal maneira que as Dioceses pagam parte do programa de formação.
“É uma alegria estar com eles, um motivo de orgulho e uma esperança para o futuro”, declarou o Ordinário Castrense, Dom Timothy Broglio, sobre os seminaristas.
Não obstante, e apesar da ajuda das Dioceses locais, a formação de cada seminarista custa R$ 75.000 dólares por ano, para um total de US$ 2,7 milhões de dólares no orçamento.
A outra boa notícia é que os Bispos americanos aprovaram em 2012 a realização de uma coleta a cada três anos nas paróquias dos EUA, para o apoio do Ordinariato Militar. A primeira dessas coletas ocorreu no dia 10 de novembro. (EPC)

Cristãos pecadores sim, corruptos não.

Cristãos pecadores sim, corruptos não, disse o Papa na homilia em Santa Marta

 

papa_francisco_11_noviembreO site ACI/EWTN Noticias publicou nesta terça-feira (13/11/13) as palavras proferidas pelo Santo Padre no dia de ontem, durante a missa que celebrou na Casa Santa Marta, qual afirmou que quem não se arrepende e “faz de conta que é cristão” faz muito mal à Igreja, afirmou o Papa Francisco na Missa da manhã de ontem celebrada na capela da Casa Santa Marta. Disse que todos devemos reconhecer que somos “pecadores”, mas devemos estar atentos para não nos converter em “corruptos”. Quem é benfeitor da Igreja, mas rouba o Estado, acrescentou Francisco, é “um injusto” que leva uma “vida dupla”.
Jesus “não se cansa de perdoar e nos aconselha” que façamos o mesmo. O Papa se deteve em sua homilia sobre a exortação do Senhor a perdoar o irmão arrependido, de que fala o Evangelho. Quando Jesus pede que se perdoe sete vezes ao dia, observou o Pontífice, “faz um retrato de si mesmo”.
Jesus, prosseguiu, “perdoa”, mas neste trecho evangélico também diz: “Ai daquele que produz escândalos”. Não fala de pecado, mas sim de escândalo, que é outra coisa. E acrescenta que “Seria melhor para ele que lhe amarrassem uma pedra de moinho no pescoço e o jogassem no mar, do que escandalizar um desses pequeninos”. Daí que o Papa se perguntasse que diferença há entre “pecar e escandalizar”:
“A diferença é que quem peca e se arrepende, pede perdão, se sente fraco, se sente filho de Deus, se humilha, e pede justamente a salvação de Jesus. Mas daquele outro que escandaliza, não se arrepende. Continua pecando, mas faz de conta que é cristão: uma vida dupla. E a vida dupla de um cristão faz muito mal, muito mal. ‘Mas, eu sou um benfeitor da Igreja! Coloco a mão no bolso e dou à Igreja. Mas com a outra mão, rouba: do Estado, dos pobres… rouba. É um injusto. Esta é a vida dupla. E isto merece –o diz Jesus, não o digo eu– que lhe amarrem no pescoço uma pedra de moinho e seja jogado ao mar. Não fala de perdão, aqui”.
Isto, destacou o Pontífice, porque “esta pessoa engana”, e “onde está o engano, não está o Espírito de Deus. Esta é a diferença entre o pecador e o corrupto”. Quem “leva uma vida dupla– disse – é um corrupto”. Diferente é quem “peca e gostaria poder não pecar, mas é fraco” e “vai ao Senhor” e pede perdão: “o Senhor gosta desta pessoa! Acompanha-a, e está com ela”:
“E nós devemos nos dizer pecadores, sim, todos, aqui, todos o somos. Corruptos, não. O corrupto está fixo em um estado de suficiência, não sabe o que é a humildade. Jesus, a estes corruptos, dizia-lhes: ‘A beleza de ser sepulcros caiados, que parecem belos, por fora, mas dentro estão cheios de ossos mortos e de podridão. E um cristão que se vangloria de ser cristão, mas que não faz vida de cristão, é um destes corruptos. Todos conhecemos alguém que está nesta situação, e quanto mal fazem à Igreja! Cristãos corruptos, sacerdotes corruptos… Quanto mal faz à Igreja! Porque não vivem no espírito do Evangelho, mas no espírito mundano”.
O Santo Padre recordou que São Paulo o diz claramente em sua Carta aos cristãos de Roma: “Não vos conformeis com este mundo”. E ainda precisou que o “texto original é mais forte” porque afirma que não temos que “entrar nos esquemas deste mundo, nos parâmetros deste mundo”. Esquemas, reafirmou, que “são este mundismo que te leva à vida dupla”.
“Uma podridão envernizada: esta é a vida do corrupto. E Jesus não lhes dizia simplesmente ‘pecadores’, dizia-lhes: ‘hipócritas’. E que belo, aquele outro, né? ‘Se ele pecar contra ti sete vezes num só dia, e sete vezes vier a ti, dizendo: ‘Estou arrependido’, tu deves perdoá-lo.’. É o que Ele faz com os pecadores. Ele não se cansa de perdoar, só com a condição de não querer fazer esta vida dupla, de ir a Ele arrependidos: ‘me perdoe, Senhor, sou pecador!’.
Para concluir o Papa disse que “assim é o Senhor. Peçamos hoje a graça ao Espírito Santo que foge de todo engano, peçamos a graça de nos reconhecer pecadores: somos pecadores. Pecadores, sim. Corruptos, não”.

Categoria: Notícias

Sacerdote brasileiro foi nomeado como novo responsável pela “Seção Jovens” do Vaticano


 

ppjoao11112013O site ACI/EWTN Noticias informou nesta terça-feira (12/11/13) que o Vaticano tem um novo responsável pela Seção “Jovens” do Pontifício Conselho para os Leigos. Desde 24 de outubro de 2013, o Padre João Chagas é oficialmente o novo responsável substituindo no cargo ao Padre Eric Jacquinet, que trabalhou no dicastério durante o quinquênio 2008-2013.
A seção juvenil do Vaticano será guiada agora por este sacerdote do Brasil, sede da última Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro 2013, na qual participaram mais de três milhões de jovens de todo o mundo, e que esteve dedicada ao tema “Ide e fazei discípulos entre todas as nações”.
Ao apresentar-se ante os responsáveis pela pastoral juvenil das conferências episcopais e das associações, movimentos e novas comunidades internacionais, o Pe. Chagas se encomendou à intercessão do Beato João Paulo II, o Papa que instituiu as JMJ e que será canonizado em 27 de abril do próximo ano.
“Com a experiência adquirida já em parte durante pouco mais de dois anos junto a meu estimado predecessor sou consciente dos meus limites, mas com o desejo de me entregar inteiramente ao Senhor neste serviço, quero assegurar hoje minha disponibilidade a escutar e a caminhar junto a vós na edificação do Reino de Deus”, escreveu o Pe. Chagas aos responsáveis pela pastoral juvenil.
O Pe. Chagas foi ordenado sacerdote em 21 de dezembro de 2001, e começou a colaborar com a “Seção Jovens” desde 2011 em vista da JMJ Rio2013. Conta com ampla experiência pastoral a nível internacional, pertence à Comunidade Católica Shalom, que é uma associação internacional de fiéis reconhecida pelo Conselho Pontifício para os Leigos desde 22 de fevereiro de 2007.Depois de estudar  Filosofia no Brasil, chegou a Roma para a licenciatura na Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino (Angelicum), retornou ao seu país natal por três anos e voltou para Roma para a licenciatura em Teologia Espiritual no Pontifício Instituto de Espiritualidade Teresianum, onde estuda atualmente um doutorado.
É membro do Conselho Geral da Comunidade Shalom, e há dez anos assistente internacional, o que o fez viajar por diversos países da América Latina, África, Europa e Ásia.Sua experiência se estende também à pastoral juvenil, à pastoral vocacional, à catequese para jovens e adultos, à animação litúrgica, à realização de grandes eventos, e foi responsável pela participação dos jovens da Comunidade Shalom nas JMJ de Roma, Toronto, Colônia, Sidney e Madri.
Além disso, em Roma foi por muito tempo colaborador do Centro Internacional Juvenil São Lorenzo, e tem experiência paroquial. Desde 2007 até 2011 colaborou na igreja de Santa Ana (Pian Paradiso), na diocese de Civita Castellana, na província de Viterbo (Itália).

sábado, 7 de setembro de 2013

As Imagens dos Santos

Categoria: Artigos

 

na-sra-aparecida_-30cm_-pintura-tradicional_zoom_1_1A imagem é muito mais do que uma escultura, pode ser qualquer coisa que permite excitar a nossa vista: uma escultura, um desenho, uma pintura, um objeto. O dicionário do Aurélio trás uma ampla conceituação do que seja uma imagem, entre outras diz: “a representação gráfica, plástica ou fotográfica de pessoa ou de objeto”.  A imagem pode estar em duas dimensões ou em três; no plano ou no espaço. Ela, sem precisar de palavra, consegue falar e sensibilizar as pessoas com muito mais facilidade do que muitas palavras. Elas por si mesmas carregam uma linguagem própria que nem sempre precisa excitar nossos ouvidos.

A própria Bíblia é uma imagem: as palavras impressas sobre o papel nada mais são do que símbolos gráficos que excitam os olhos resultando na imaginação responsável pela compreensão do texto. A Bíblia é a imagem da Palavra de Deus.

Muitos homens e mulheres se converteram por um simples olhar para uma imagem ou crucifixo mudos no interior de uma igreja. O próprio homem foi feito à “imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26-27). É por isso que se diz que “uma imagem vale mais do que mil palavras”. Portanto, é lógico que não seria justo desprezar o recurso das imagens na evangelização, especialmente dos iletrados.

É preciso explicar também o que seja um ídolo; não é simplesmente uma  imagem.

Ídolo é aquilo que:

1 - substitui o único e verdadeiro Deus;
2 - são-lhe atribuídos poderes exclusivamente divinos; e,
3 - são-lhe oferecidos sacrifícios devidos ao verdadeiro Deus.

É o que os judeus antigos no deserto fizeram com o bezerro de ouro (cf. Ex 32). Este fato mostra bem o que é um ídolo. Porque Moisés demorava para descer do Monte Sinai, os hebreus fugitivos do Egito confeccionaram um bezerro em ouro, a quem cultuaram como se fosse o verdadeiro Deus.

“O povo reuniu-se em torno de Aarão e lhe disse: ‘Vamos! Faze-nos deuses que caminhem à nossa frente…’. Aarão lhes disse: ‘Tirai os brincos de vossas mulheres, vossos filhos e vossas filhas, e trazei-os a mim’. [...] Recebendo o ouro, ele o moldou com o cinzel e fez um bezerro fundido. Então eles disseram: ‘Aí tens, Israel, os deuses que te fizeram sair do Egito!’ [...] Levantando-se na manhã seguinte, ofereceram holocaustos e apresentaram sacrifícios pacíficos” (Ex 32,1b-2.4.6a).

No culto de adoração ao bezerro, os hebreus atribuíram ao bezerro o milagre da fuga do Egito; assim o objeto de ouro passou a substituir o próprio Deus e por isso lhe são oferecidos sacrifícios devidos só a Deus.

Este culto prestado ao bezerro de ouro, um ídolo, não pode ser confundido nem de longe com as imagens cristãs. Elas não são imagens de ídolos, mas de pessoas ou de anjos, criaturas de Deus.

A Igreja Católica nunca afirmou que devemos “adorar” as imagens dos santos. Desde quando a Igreja atribui-lhes poderes de salvar a humanidade? Nunca a Igreja prestou-lhes um culto de adoração.

Note bem que a imagem é um objeto que apenas lembra algo fora dele; o ídolo, por outro lado, “é o ser em si mesmo”. A quebra de uma imagem não destrói o ser que representa; já a destruição de um ídolo implica da destruição da falsa divindade.

Para Deus, e somente Deus, a Igreja presta um culto de  adoração (“latria”); nele reconhecemos Deus como Todo-Poderoso e Senhor do universo. Aos santos e anjos, a Igreja presta um culto de veneração (“dulia”); homenagem. A Nossa Senhora, por ser a Mãe de Deus, a Igreja presta um culto de “hiper-dulia”, que não é adoração, mas hiper-veneração.

A palavra “dulia” vem do grego “doulos” que significa “servidor”. Dulia em português quer dizer reverência, veneração.    Latria é adoração; vem do grego “latreia” que significa serviço ou culto prestados a um soberano senhor. Em outras palavras, significa adoração. Veja, então não há como confundir o culto prestado a Deus com o culto prestado aos Santos.

Rogando aos Santos não os olhamos nem consideramos senão como nossos intercessores para com Jesus Cristo, que é o único Medianeiro (cf. 1Tm 2,4) que nos remiu com seu sangue, e por quem podemos alcançar a salvação.

Veneramos os santos, representados nas imagens, porque seus exemplos de vida nos servem de modelo de vida e nos indicam o verdadeiro caminho: Jesus Cristo (cf. Jo 14,6), único Mediador e Redentor da humanidade. Além disso, os santos intercedem por nós sem cessar diante de Deus. E mais, quando veneramos os santos, estamos dando glória a Deus porque eles são santos pela graça de Deus.

Se adorarmos uma criatura, criada por Deus ou pelo homem, ai sim estaremos cometendo o pecado da idolatria, severamente punido por Deus.

Por que Deus proibiu o uso de imagens de ídolos?

Isto se deu por causa das circunstâncias da história do povo judeu que vivia cercado de nações idólatras. Israel era atraído ao culto pagão das imagens e a mágica que as imagens provocavam. No entanto, Deus não proibia imagens simplesmente; mas imagens “de ídolos”, deuses falsos.

Já mesmo no Antigo Testamento o próprio Deus prescreveu a confecção de imagens como querubins, serpente de bronze, leões do palácio de Salomão, etc. A própria Bíblia defende o uso de imagens como você pode verificar nessas muitas passagens: Ex 25,17-22; 37,7-9; 41,18; Nm 21,8-9; 1Rs 6,23-29.32; 7,26-29.36; 8,7; 1Cr 28,18-19; 2Cr 3,7.10-14; 5,8; 1Sm 4,4; 2Sm 6,2; Sb 16,5-8; Ez 41,17-21; Hb 9,5… e mais.

É importante entender que Deus proibiu aos israelitas apenas a confecção de imagens e estátuas, de ídolos, porque na antigüidade facilmente se atribuía a esses objetos um caráter religioso; eram considerados pelos pagãos como símbolos em que a Divindade estava presente, ou como a Divindade mesma.

Isto justifica a existência de um mandamento contra a idolatria: Israel estava cercada de nações pagãs, politeístas e idólatras; cultuava-se o sol, os astros, os crocodilos, os reis, os gatos, etc. O verdadeiro povo de Deus devia se afastar de tudo isso pois era monoteísta.

Assim, por causa dessa mentalidade dos povos que viviam ao lado de Israel, o uso de imagens acarretava perigo para a fé monoteísta dos hebreus. Manter a fé de Israel em um só Deus foi muito difícil porque eles viviam no meio de nações politeístas e eram atraídos pelo culto de muitos Deus. Lembremo-nos, por exemplo, da realidade dos inúmeros deuses dos romanos, dos gregos, dos babilônios, dos egípcios, dos assírios, caudeus, fenícios, etc.

Para evitar a confecção de imagens, Deus não tomava forma nem figura quando falava a Israel; apenas fazia notar a sua presença por meio de raios, trovões, etc. Desta maneira tirava do seu povo qualquer incentivo para fabricar alguma representação de Deus e Javé mostrou o motivo da proibição no texto de Dt 4,15, paralelo a Ex 20,4s:

“Estai atentos; já que não vistes forma nenhuma no dia em que Javé no Horeb vos falou em meio ao fogo, não prevariqueis e não façais imagem esculpida a representar o que quer que seja”.

Os Profetas foram veementes na rejeição das imagens visto que, de fato, Israel tendia à idolatria;

“Não imiteis o procedimento dos pagãos; nem temais os sinais celestes, como os temem os pagãos, porquanto os deuses desses povos são apenas vaidade. São cepos abatidos na floresta, obra trabalhada pelo cinzel do artesão, decorada com prata e ouro. A golpes de martelo são-lhes fixados os pregos (e postos em seus lugares) para que não se movam. Assemelham-se esses deuses a uma estaca em campo de pepinos, que devem ser levados, pois não caminham. Não os temais, pois que vos não podem fazer mal, nem têm o poder de fazer o bem.” ( Jr 10,2-5…)

“Que haveis de comparar a Deus? Que semelhança podereis produzir dele?” (Is 40,18)

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O motivo pelo qual os antigos adoravam imagens era de ordem mágica; eles achavam que a imagem participava da essência do indivíduo representado; como se a imagem tivesse a mesma substância do indivíduo, como se fosse o próprio indivíduo.

Assim, acreditavam que se conseguissem fazer a imagem de um deus, capturava esse deus ou exercia poder e domínio sobre ele; e prendia a força da divindade dentro da imagem; e assim poderiam dispor da ação poderosa da divindade. Daí o motivo pelo qual encontramos uma abundância de imagens e estátuas entre os povos antigos já citados.

Que fique bem claro portanto, que a proibição era de se fabricar imagens “de ídolos”, deuses falsos, algo que a Igreja católica jamais fez ou incentivou. O profeta Isaias disse:

“Os que modelam ídolos nada são, as suas obras preciosas não lhes trazem nenhum proveito… Quem fabrica um deus e funde um ídolo que de nada lhe pode valer?… Com outra parte fez um deus e o adorou, fabricou um ídolo e se prostrou diante dele”… Com o resto faz um deus – o seu ídolo – prostra-se diante dele e o adora e lhe dirige súplicas: salva-me …” (Is 44,9-17)

Veja, então, que o profeta está falando de imagens de “deuses falsos”, ídolos para adorar.

A proibição de imagens no Antigo Testamento não era uma oposição entre o visível e o Invisível, entre o material e o espiritual, nem pretendia incutir um culto espiritualizado dirigido diretamente ao Invisível.

A proibição das imagens dos ídolos estava relacionada diretamente a Javé e devia incutir que o Deus único era diferente dos deuses dos outros povos; estes podiam ser representados e fixados em imagens em determinado lugar, porque eram ficções dos homens; ao contrário, Javé era o único Deus e diferente dos deuses falsos; Ele se manifestava livremente onde e quando queria, infinitamente acima das forças e dos seres sensíveis, pois Ele é o Criador de todos.

No entanto, em certos casos, com todas as cautelas contra o perigo de idolatria, Deus não somente permitiu, mas mandou mesmo que se confeccionassem imagens sagradas, para fortalecer a piedade e o culto de Israel.

Por exemplo, quando o Senhor ordenou a fabricação da Arca da Aliança: por ordem explícita de Javé, Moisés colocou dois querubins de ouro sobre o Propiciatório da Arca, tendo as asas voltadas para o alto e as faces dirigidas para a placa sagrada de metal; era pelo Propiciatório assim configurado que Javé falava ao seu povo; (Ex 25, 17-22).  Por causa disso, a Bíblia costuma dizer que “Javé está assentado sobre querubins”

“O exército mandou trazer de Silo a Arca de Iahweh dos Exércitos, entronizado entre os querubins” (1Sm 4,4). A nota da Bíblia de Jerusalém diz: “Os querubins são esfinges aladas que flanqueavam os tronos divinos ou reais da antiga Síria. Em Silo como no Templo de Jerusalém, os querubins e a Arca são o trono de Iahweh, a “sede” da  presença invisível.”

Em 1Rs 8,6 vemos:

“Os sacerdotes conduziram a Arca da Aliança de Iahweh ao seu lugar, ao Debir do Templo, a saber, ao Santo dos Santos, sob as asas dos querubins”.

“Pondo-se a caminho, Davi e todo o exército que o acompanhava partiram para Baala de Judá, afim de transportar a Arca de Deus que lá estava e que leva o nome de Iahweh dos Exércitos, que se assenta entre os querubins.” (2Sm 6,2)

“Iahweh, Deus de Israel, que estás sentado sobre os querubins, tu és o único Deus de todos os reinos da terra…”(2Rs 19,15)

Ora, se Deus “senta sobre os querubins”, como então Ele pode ter proibido fazer imagens de querubins? Isto foi mandado porque os querubins não são deuses falsos; mas anjos. Assim, Deus permite se fazer imagem de anjos e santos; não de ídolos.

Também no Templo construído por Salomão, diz o texto sagrado que foram talhados querubins de madeira preciosa para ficar junto à Arca da Aliança:

“Fez no santuário dois querubins de madeira de oliveira, que tinham dez côvados de altura. Cada uma das asas dos querubins tinha cinco côvados, o que fazia dez côvados da extremidade de uma asa à extremidade da outra. Cada uma das asas dos querubins tinha cinco côvados, o que fazia dez côvados da extremidade de uma asa à extremidade da outra. O segundo querubim tinha também dez côvados; os dois tinham a mesma forma e as mesmas dimensões. Um e outro tinham dez côvados de altura. Salomão pô-los no fundo do templo, no santuário. Tinham as asas estendidas, de sorte que uma asa do primeiro tocava uma das paredes e uma asa do segundo tocava a outra parede, enquanto as outras duas asas se encontravam no meio do santuário. Revestiu também de ouro os querubins.” (cf. 1Rs, 6,23-28);

E ainda: as paredes do Templo foram todas revestidas de imagens de querubins:

“Mandou esculpir em relevo em todas as paredes da casa, ao redor, no santuário como no templo, querubins, palmas e flores abertas’. (1Rs 6,29s).

Essas obras foram ordenadas pelo próprio Deus (cf. 1Cr 22, 8-13), que, já no deserto, deu a certos homens o dom de construir imagens, figuras e toda espécie de obras em ouro, prata e bronze … assim como para talhar a madeira:

“O Senhor disse a Moisés: “Eis que chamei por seu nome Beseleel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá. Eu o enchi do espírito divino para lhe dar sabedoria, inteligência e habilidade para toda sorte de obras: invenções, trabalho de ouro, de prata, de bronze, gravuras em pedras de engastes, trabalho em madeira e para executar toda sorte de obras” ( Ex 31, 1-5).

Veja com que apreço Deus considerava as imagens de seu Templo, já mesmo no regime do Antigo Testamento.

Como, então, Deus proíbe imagens, se ele dá o dom do artesanato, da arte, a seus homens?

Quando o povo de Israel atravessava o deserto, foi atacado por serpentes venenosas, que fez morrer muitos.  Então o Senhor Deus ordenou a Moisés que fizesse uma serpente de bronze e a colocasse sobre uma haste; todo aquele que, mordido, a contemplasse, seria salvo:

“Partiram do monte Hor na direção do mar Vermelho, para contornar a terra de Edom. Mas o povo perdeu a coragem no caminho, e começou a murmurar contra Deus e contra Moisés: “Por que, diziam eles, nos tirastes do Egito, para morrermos no deserto onde não há pão nem água? Estamos enfastiados deste miserável alimento.” Então o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que morderam e mataram muitos. O povo veio a Moisés e disse-lhe: “Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós essas serpentes.” Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor disse a Moisés: “Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.” Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida.” ( Nm 21, 4-9).

Ora, a serpente de bronze era também uma imagem.

Alguém poderia objetar: Mas 2Rs 18,4 mostra que essa serpente foi depois destruída por Ezequias, que agradou a Deus.

É preciso notar, em primeiro lugar, que a serpente foi confeccionada por ordem direta do Senhor a Moisés:

“… e o Senhor disse a Moisés: “Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.” (Nm21,4).

Ezequias mandou destruir a serpente de bronze porque o povo passou a idolatrá-la como um ídolo. Isto pode ser compreendido pelo contexto em 2Rs 18,4: a serpente de bronze passara a ser vista como uma deusa, com o nome de Noestã e lhe queimaram incenso (símbolo de culto à divindade):

“Destruiu os lugares altos, quebrou as estelas e cortou os ídolos de pau asserás. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés tinha feito, porque os israelitas tinham até então queimado incenso diante dela”. (Chamavam-na Nehustã). (2Rs 18,4)

Também o mar de bronze, um reservatório de água especial colocado à entrada do palácio de Salomão era sustentado por doze bois de metal, dos quais três olhavam para o Norte, três para o Oeste, três para o Sul e três para o Leste. São também imagens:

“Hirão fez também o mar de bronze, que tinha dez côvados de uma borda à outra, perfeitamente redondo, e com altura de cinco côvados; sua circunferência media-se com um fio de trinta côvados. Por baixo de sua borda havia coloquíntidas em número de dez por côvado; elas rodeavam o mar, dispostas em duas ordens, formando com o mar uma só peça. Este apoiava-se sobre doze bois, dos quais três olhavam para o norte, três para o ocidente, três para o sul e três para o oriente. O mar repousava sobre eles, e suas ancas estavam para o lado de dentro. A espessura do mar era de um palmo; sua borda assemelhava-se à de um copo em forma de lírio; sua capacidade era de dois mil batos….” ( 1Rs 7, 23-26).

E havia também entre os ornamentos do palácio régio de Salomão figuras de leões, touros e querubins:

“Nos painéis enquadrados de molduras, havia leões, bois e querubins, assim como nas travessas igualmente. Por cima e por baixo dos leões e dos bois pendiam grinaldas em forma de festões.” (1Rs 7,28s).

Todos esses textos mostram exaustivamente que a proibição de confeccionar imagens não era absoluta no Antigo Testamento, mas se referia apenas a deuses falsos, ídolos para adorar, para que Israel não caísse na idolatria do panteísmo.

Os próprios judeus, com o tempo, foram entendendo melhor isto. Por exemplo, em certas sinagogas da Palestina do século III d.C., foram encontrados afrescos e figuras humanas.  Na sinagoga de Dura-Europos (à margem do rio Eufrates), estavam representados Moisés diante da sarça ardente, o sacrifício de Aarão, a saída do Egito, a visão de Ezequiel.

Do livro: Intercessão e culto dos Santos, Imagens e Relíquias – Prof. Felipe Aquino

Por que eu não sou atendido por Deus?

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amar-proximoUm pai daria um revólver carregado ou uma navalha para o filho brincar? Não, é claro que não, mesmo que o filho esperneie e chore.

Algumas vezes pedimos a Deus coisas que não são boas e que podem ser um perigo para a nossa alma. Então, o que faz o bom Pai? Não nos atende, mesmo que fiquemos magoados com Ele. Jesus disse aos Apóstolos um dia: “Não sabeis o que pedis!”.

Muitas vezes Deus diz “NÃO” aos nossos pedidos, por pura misericórdia, como o pai que se nega a dar uma navalha nas mãos do filhinho. No Céu entenderemos e agradeceremos…

Muita gente pensa que só temos a bênção de Deus na prosperidade, quando tudo vai bem e gozamos a vida. Não é verdade; somos lembrados por Deus durante as provações.

Os Apóstolos passaram aquela noite toda sem pescar. Eis que chega Jesus e lhes ordena: “Lançai a rede a vossa direita”. E ela se encheu de peixes. Só depois da noite inteira de pescaria inútil é que Jesus aparece…

Às vezes lutamos anos contra um problema, e eis que, de repente, quando menos esperamos, ficamos livres do mal. É a graça benfazeja de Deus. O povo diz sabiamente que “Deus tarda, mas não falha”.

Na verdade Ele tem a hora certa de agir; e isto só Ele sabe. Quanto a nós devemos nos manter em oração perseverante, humilde e confiante.

Nunca deixar de rezar, nunca impor nada a Deus e nunca desanimar de pedir e nem perder a fé. Deus tem a sua hora; e nós temos que saber esperá-la com fé.

Quem conhece os desígnios de Deus? Quem sabe o que de fato é bom para nós mesmos?

Quantas vezes nos enganamos nesta vida! Muitas vezes um filhinho se revolta contra o pai porque este não o deixa brincar com uma faca ou perto do fogo!…

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Muitas vezes somos assim com Deus; filhos birrentos que se revoltam contra o pai que não nos dá o que nos é prejudicial.

A história da Igreja está cheia de exemplos de pessoas que só receberam a graça procurada depois de muitos anos. O melhor exemplo talvez seja o de Santa Mônica, a mãe de santo Agostinho. Esta mulher simples e ao mesmo tempo heroica, rezou com fé, perseverança e humildade, durante 20 anos pela conversão do seu amado e fogoso Agostinho.

Em suas “Confissões” ele confessa que as lágrimas de sua mãe eram como que o sangue do seu coração destilado em seus olhos, diante do Sacrário. Mas um dia ele se converteu…

É preciso notar que a única coisa que esta mulher pedia insistentemente a Deus, sem nunca desanimar, era que o seu filho se tornasse um bom cristão. Nada mais. Mas quando ele se converteu, não apenas se fez um bom cristão, mas logo se tornou um brilhante sacerdote, depois aclamado bispo, e então, um dos mais importantes Padres da Igreja, defendeu a fé contra as heresias do arianismo, pelagianismo, e outros erros; e hoje é um dos maiores santos e doutores da Igreja, que nunca deixou de influenciar o mundo.

Tudo aconteceu porque aquela mulher não desanimou de pedira Deus, com fé, perseverança e humildade.

Parece que Deus às vezes demora em nos atender os pedidos, porque quer nos dar coisas melhores… Tenhamos calma, e fé.

Tenho para comigo que sempre conseguiremos de Deus o que precisamos, desde que não desanimemos de pedir. Deus é bom Pai.

Em Deus tanto mais se lucra, quanto mais se sabe esperar. É como uma conta de poupança, é preciso esperar o rendimento com paciência. Muitas vezes a impaciência e a revolta afastam a graça que já se aproximava.

Prof. Felipe Aquino