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quarta-feira, 10 de junho de 2015

INVESTIMENTOS NAS BRS 163/364 EM MATO GROSSO COM NOVA CONCESSÃO PODEM SER DE R$ 10 BILHÕES


O governo federal prevê R$ 10,7 bilhões em investimentos com as concessões à iniciativa privada, ainda este ano, de duas rodovias federais em Mato Grosso. Para principal delas, a BR-163, que engloba 976 quilômetros Sinop e o porto de Miritituba (PA), são esperados R$ 6,6 bilhões por parte do consórcio que arrematar o trecho. O projeto parte do entroncamento com a MT-220 até o entroncamento com a BR-230, já no Estado vizinho, e de lá do entroncamento com  BR (Campo Verde) até Miritituba.

Dos 976 quilômetros, estima-se que 60% estejam pavimentados. Faltam ser construídas diversas pontes de concreto. As obras foram divididas em 'lotes' com a empreiteiras e o Exército fazendo a pavimentação. Os cronogramas de conclusão feitos pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) não se cumpriram. O último é que o asfaltamento fique pronto ano que vem.

Com a concessão da BR-163 no sentido Sinop ao Pará, o objetivo do governo é aumentar escoamento de grãos pelos portos do Arco Norte, contudo, a partir a entrega à iniciativa privada a perspectiva é que a sobras comecem imediatamente depois do leilão e os trâmites burocráticos.

Já para a concessão 703 quilômetros de rodovias federais interligando Mato Grosso e Goiás o governo prevê R$ 4,5 bilhões em investimentos. O plano engloba a BR-364, do entroncamento com a BR-163 (Rondonópolis) até o entroncamento com a BR-060 em Jataí (GO) e, de lá, até Goiânia. A intenção é escoar produção do Centro-Oeste para portos dos Arcos Norte e Sul. Os estudos sobre os impactos no frente e também de viabilidade ainda não foram divulgados.

O governo anunciou que do total de investimentos do plano de concessões, R$ 66,1 bilhões são em rodovias, R$ 86,4 bilhões em ferrovias, R$ 37,4 bilhões em portos e R$ 8,5 bilhões em aeroportos. Ao menos no caso das rodovias, o planejamento aponta a concessão de pelo menos 30 anos. Isso inclui todos os elementos integrantes da faixa de domínio, além de acessos e alças, edificações e terrenos, pistas centrais, laterais e locais, acostamentos, obras de arte especiais e quaisquer outros elementos localizados nos limites da faixa de domínio.


10/06/2015 - 07:00
Fonte: Só Notícias/Weverton Correa (foto:assessoria/arquivo)

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ACUSADO DE SER ALICIADOR DE MENORES É PRESO EM NOVO PROGRESSO

http://www.folhadoprogresso.com.br/wp-content/uploads/2015/06/aliciador1.jpgA Policia Militar prendeu neste domingo (07/06) no bairro Jardim Planalto, Adao Bicho Pereira.


Adão foi preso acusado de estar aliciando a filha do seu patrão, que tem 11 anos. Segundo os vizinhos Adão também era usuário de drogas e direto fazia pequenos furtos nas residências do bairro.

A guarnição da PM sob o comando do Cabo Maduro, Soldado reis e Soldado Francisco efetuaram a prisão do elemento e o encaminharam até a Delegacia de Policia e se encontra a disposição da justiça.



Fonte: Redação Jornal Folha do Progresso – Foto: Cabo Maduro
 

DENÚNCIA CONTRA VEREADORES É ARQUIVADA EM REUNIÃO PLENÁRIA

Denúncia contra Vereadores é arquivada em Reunião Plenária
Na Reunião Ordinária realizada nesta terça-feira, dia 09 de Junho de 2015, os Vereadores votaram contra acatar á denuncia em desfavor de seis vereadores , os edis foram denunciados pelo prefeito afastado Osvaldo Romanholi.

Romanholi denunciou o uso de diárias para beneficio próprio, para ele os vereadores envolvidos na denuncia pegavam as diárias, mas não saiam do Município, fato contestado pelos edis que declararam terem usado as diárias para viagem a serviço da municipalidade.

Os Vereadores Elodido Bertolo (PR) e Luizão (PMDB), se recusaram de votar e se retiram do plenário.

O Vereador Luizão (PMDB), entrou com oficio pedindo o afastamento dos seis envolvidos, a assessoria jurídica da casa descartou está possibilidade , para os juristas cada vereador tem responsabilidade sobre seus atos, o processo foi desmembrado de um por um , desta forma a cada denuncia o vereador envolvido não participou da votação.

Luizão que também é defensor do prefeito afastado Osvaldo Romanholi (PR) no legislativo , usou de outra estratégia tentou assumir a presidência da casa por ser vereador mais velho, possibilidade também descartada pelo Presidente da casa que alternou o cargo conforme o regimento interno e passou para o vice presidir a sessão, no momento em que seu processo foi para julgamento pelos demais pares.

Foi convocada a suplente de vereadora Rose (PSDB), que chegou a ir na tribuna mais disse não se sentir a vontade e se absteve das votações. Outros suplentes não foram chamados porque os mesmos não foram diplomados pelo Juiz Eleitoral do município.

Assim, depois de lidas e discutidas as denúncias foram deliberadas de uma a uma e votadas por escrutino secreto e por maioria absoluta dos votos entre os edis presentes foram arquivadas.

Na mesma sessão ordinária foi deliberado outra denuncia em desfavor do prefeito Afastado Osvaldo Romanholi (PR), desta vez por desrespeitar a Lei Orgânica do Município, na época Osvaldo saia de licença e não transferia o cargo ao vice-prefeito, usando outra lei ignorada de 2005. A denúncia foi protocolado no legislativo de autoria do prefeito em exercício Joviano de Almeida.

Próxima Terça-feira(16/06).

Para a próxima sessão já está na pauta outra denuncia, está em desfavor do vereador Luizão do PMDB, Luizão é acusado por eleitor de receber dinheiro da prefeitura para viagem em beneficio próprio ao mesmo tempo solicitou e recebeu diárias da Câmara Municipal. Caso acatada a denuncia por maioria absoluta dos vereadores, o vereador poderá ser afastado do cargo por até 180 dias.


Fonte/Fotos: Redação Jornal Folha do Progresso

segunda-feira, 8 de junho de 2015

NOVO PROGRESSO-VIGILÂNCIA SANITÁRIA INTENSIFICA FUMAÇA EM COMBATE AO MOSQUITO DA DENGUE​.


Está sendo intensificada a passagem do carro do fumacê nos bairros da cidade a fim de combater o mosquito da dengue.

Essa é uma das principais armas da prefeitura para acabar com os insetos. Ao mesmo tempo as secretarias de Saúde, Obras, Urbanismo e Infraestrutura e de Serviços Urbanos, Transporte, Turismo e Eventos continuam realizando mutirão, percorrendo casas e terrenos fazendo vistorias e retirando materiais que possam servir de foco para o vetor.

A fumaça é composta por óleo mineral adicionado de inseticida, que mata os mosquitos adultos. Para ter um melhor aproveitamento, é recomendável que os moradores deixem portas e janelas abertas durante a passagem dos agentes. “O fumacê irá passar em todos os bairros, porém, nesse período de estiagem com muita poeira estamos priorizando a aplicação pela manhã e fim da tarde, quando o tempo está mais firme, ressaltou agente de saúde”.

Prefeito em Exercício Joviano de Almeida com os Agentes de  Vigilância Sanitária.(Foto-WatsApp)“A secretaria de Saúde do Município de Novo Progresso espera com isso que a fumaça mate os mosquitos, pois as larvas são eliminadas no trabalho diário dos agentes de endemias”.

A Prefeitura reativou o serviço que estava paralisado a anos, os motivos que não havia mais usado o Fumacê pela antiga administração ainda não foi divulgado. “Os agentes da Vigilância Sanitária estão espalhando o fumacê em todos os bairros e realizando o ciclo preconizado pelo estado, que são cinco visitas ao ano de acordo com o calendário do Ministério da Saúde. Os agentes de saúde estão no primeiro ciclo, verificando a presença de focos do mosquito, fazendo o tratamento, quando necessário e orientação”, divulgou a prefeitura.

“A administração municipal está fazendo todo o necessário para combater o mosquito da dengue, mas é fundamental a participação da população. A passagem do fumacê é mais um meio utilizado para lutar contra os mosquitos. Muitos moradores já estão se conscientizando e abrindo as portas de suas casas ou seus terrenos para ser feita a vistoria por parte dos agentes de saúde. As medidas tomadas pela prefeitura são em prol da qualidade de vida dos moradores e atenção em relação à saúde de todos”.

O sucesso desta operação depende muito de você, então oriente sua família quando ouvir o barulho do carro com fumacê abra as portas e janelas.

A reportagem do Jornal Folha do Progresso não teve acesso ao cronograma de trabalho.



Por: Redação Jornal Folha do Progresso Fotos: WhatsApp

MOTORISTA É MORTO À TIROS EM NOVO PROGRESSO

Ele foi interceptado por um homem que estava de posse de  uma motocicleta e o ocupante efetuou vários disparos de arma de fogo contra o motorista que morreu no local….

Um homem foi morto a tiros na tarde deste sábado  (06), em Novo Progresso. Ele era motorista de um caminhão Mercedes Bens placa DAH-1324, no momento do crime o motorista estava em um bar  próximo a rodoviária , no momento em que um ocupante de uma motocicleta , passou pelo local e desceu  e começou a efetuar disparos de arma de fogo contra o motorista que morreu no local.

O Motorista foi interceptado por vários tiros , segundo a informação coletada no local o matador parou para conversar com o motorista  do caminhão e disparou contra o motorista. A policia acredita em morte por acerto de contas.

Familiares chegavam aos poucos no local e ficavam nervosos e não acreditavam que o rapaz estava morto. Ele foi identificado como Gustavo, morador do bairro das casas populares “Tom Alegria” próximo ao setor industrial, e foi ferido com pelo menos três disparos de arma de fogo na cabeça. Ninguém no local reconheceu o assassino do motorista.

O corpo de Gustavo foi levado para hospital municipal para pericia e posteriormente foi liberado para família, a policia investiga o caso. O caminhão ainda se encontra no mesmo local do crime.



Por: Redação Jornal Folha do Progresso (Fotos -WatsApp)

sábado, 6 de junho de 2015

EMPRESÁRIOS BUSCAM ESTRATÉGIA PARA ATRACAÇÃO DE EMBARCAÇÕES NA ORLA DE SANTARÉM


Orla de SantarémAmpliação será no perímetro da Praça Tiradentes e Trav. Padre João, correspondente a 225 metros.

O anúncio do inicio das obras da terceira etapa da orla de Santarém, que deve contemplar o trecho entre a Praça Tiradentes e a Travessa Padre João levou um grupo de empresários a buscar estratégias para que os barcos possam atracar em frente a cidade. A empresa Carmona Cabrera Engenharia e Consultoria, com sede em Ananindeua, informou que vai começar ainda neste mês de junho as obras de revitalização da orla de Santarém.


Para a terceira etapa de ampliação da orla estão previstos os serviços de construção de quatro píeres, num trecho de 225 metros, compreendido entre a Travessa Padre João e a Praça Tiradentes.


Em decorrência disso haverá alteração nas atracações das embarcações no local. Preocupada com os impactos negativos no comércio, a Associação Comercial e Empresarial de Santarém (ACES) reuniu com a Prefeitura municipal, a Companhia Docas do Pará (CDP) e Capitania Fluvial dos Portos para tratar do Ordenamento para Atracação de Embarcações na Orla.


A ampliação da orla será executada do perímetro da Loja Fim do Mundo até a Lotérica, localizada na Avenida Tapajós, correspondente a 225 metros. Com isso, as atracações passam a ser inviáveis. Para minimizar a situação, o projeto contempla a construção de três píeres, porém, até o momento não há verba para custeá-los, o que preocupa os comerciantes do entorno. O desafio será articular junto à esfera estadual e federal a captação deste recurso. “Nós não temos recursos captados para construção, então, terá que ser feita uma sensibilização, inclusive através de emenda parlamentar de deputado estadual ou federal para viabilizar a construção de pelo menos um píer”, declarou o secretário de Planejamento, Nélio Aguiar.


Outra situação é quanto a necessidade de estabelecer limites para atracações de embarques por atividades que atualmente não existe e que compete a CDP fazer a devida ordenação, conforme determina a legislação federal. Visando colocar em prática estas delimitações, a ACES solicitará a CDP que autorize a Prefeitura de Santarém fazer ordenamento e organização na Orla. Desde 2010 o governo municipal vem tentando essa autorização.


“Desde a gestão do governo anterior solicitou que se passe para o município de Santarém a prerrogativa de atuar, ordenar, fiscalizar, fazer a gestão da orla, que atualmente está sob a responsabilidade da CDP. Nós aguardamos a definição do novo presidente da CDP para que seja dada celeridade nesta solicitação”, concluiu Nélio Aguiar.


Fonte: RG 15/O Impacto

REMOÇÃO FORÇADA DE RIBEIRINHOS POR BELO MONTE PROVOCA TRAGÉDIA SOCIAL EM ALTAMIRA


Belo MonteDurante 2 dias de inspeção, várias instituições constataram violação sistemática de direitos assegurados na Constituição.
 
No próximo dia 13 de junho não vai haver a tradicional festa de Santo Antônio, na Comunidade Santo Antônio, que existia desde a década de 70, entre a rodovia Transamazônica e o rio Xingu, em Altamira, no oeste do Pará. Não há mais a comunidade, uma das primeiras a ser dissolvida porque ficava no caminho da usina de Belo Monte. As 252 casas foram demolidas e os moradores, agricultores e pescadores que levavam o modo de vida tradicional das comunidades rurais da Amazônia, transferidos para cidades da região, longe do rio Xingu. Onde ficava o campo de futebol da comunidade, há hoje um estacionamento para os funcionários da Norte Energia e do Consórcio Construtor de Belo Monte.

“A destruição do modo de vida ribeirinho e a transformação compulsória de populações tradicionais que sempre tiraram o sustento do rio e da terra em moradores desempregados e subempregados da periferia de Altamira é prova definitiva de que as regras do licenciamento da usina, maior obra civil promovida pelo governo federal, não estão sendo cumpridas”, afirma a procuradora da República Thais Santi. Após receber dezenas de denúncias de ribeirinhos no escritório do Ministério Público Federal (MPF) em Altamira, a procuradora decidiu convocar várias instituições para fazerem uma inspeção nas áreas atingidas pela usina e verem pessoalmente a tragédia social provocada na região.

A inspeção ocorreu nos dias 1 e 2 de junho e constatou a dissolução de famílias, a destruição de comunidades tradicionais e a impossibilidade de que os atingidos possam reconstruir suas vidas após a remoção.

“Não foram só as máquinas chegarem e derrubarem as casas, foi a destruição dos nossos sonhos, dos vínculos de amizade. Para a Norte Energia não existe direito. Eu olho para um lado e não vejo mais meu filho, olho para o outro e não está mais o meu compadre, olho para frente e não tem mais o agente de saúde, nem o vizinho que rezava”, disse o pescador Hélio Alves da Silva, um dos moradores de Santo Antônio, a comunidade dissolvida há 3 anos. Todos os moradores perderam seu sustento e não tem mais como pescar nem plantar. Hélio mora em Altamira, em um bairro muito distante do centro e vive de bicos, como pedreiro, nas cidades vizinhas.

“Se eu não tivesse aprendido a ser pedreiro, estava passando fome. Não tem ninguém para quem a vida tenha melhorado. Todos nós estamos impedidos de pescar”. A afirmação de Hélio foi repetida por todos os ribeirinhos visitados pela equipe de inspeção, que foi coordenada pelo MPF e incluiu representantes do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente), Funai (Fundação Nacional do Índio), CNDH (Conselho Nacional de Direitos Humanos), ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), DPU (Defensoria Pública da União) e DPE (Defensoria Pública do Estado), além de vários pesquisadores, entre eles Mauro Almeida, da Unicamp, Manoela Carneiro da Cunha, da USP e Sônia Magalhães, da UFPA.

Durante dois dias, os grupos de inspeção visitaram 15 ilhas e beiradões do Xingu tomando o depoimento de pescadores e ribeirinhos. Também foram até os locais para onde essas pessoas estão sendo removidas e para áreas onde a empresa diz haver projetos de reassentamento coletivo, mas até agora nada foi construído. A conclusão da inspeção é taxativa: os direitos constitucionais das populações tradicionais do Xingu estão sendo frontalmente violados pela empresa e é necessário readequar as remoções para que cumpram o licenciamento e o Projeto Básico Ambiental de Belo Monte, assegurando os direitos dos ribeirinhos.

A violação já foi reconhecida oficialmente pelo Ibama em nota técnica enviada à Norte Energia. “A condição do atingido não deve ser observada do ponto de vista unicamente territorial e patrimonialista, e sim reconhecer uma situação onde prevalece a identificação e o reconhecimento de direitos e de seus detentores, evoluindo significativamente na amplitude com que procura assegurar a recomposição, e mesmo melhoria, das condições de vida das populações afetadas”, diz a nota.

Dona Maria Luiza Moreira é chamada pelos vizinhos de Cláudia e mora desde criança na Ilha Moriá, alguns quilômetros rio acima de Altamira. Sempre foi agricultora e pescadora. A ilha será alagada pelo reservatório de Belo Monte e a Norte Energia foi até o local avisar que ela teria que sair de lá e teria a casa demolida. Analfabeta e sem nenhuma assistência jurídica, assinou um documento em que constavam três opções de remoção: a indenização de benfeitorias, o reassentamento rural coletivo e o reassentamento rural individual. Mas a ela só foi dada uma opção, a indenização por benfeitorias. De acordo com a empresa, a ilha onde Cláudia sempre viveu e pescou não era local de moradia nem trabalho, era apenas de lazer. Pela roça, pela casa e pela terra, recebeu R$ 9 mil. Ao Xingu, não tem mais acesso.

Ela foi obrigada a trabalhar como faxineira e lavadeira em Altamira, mas não se conforma. Durante a inspeção, mostrou seu lugar e disse “que seria bom se me dessem uma terra para eu levar a vida que eu sempre levei, porque eu nasci e fui criada assim, onde tem muita água”. “Lá pra rua (é assim que os ribeirinhos se referem à cidade) eu já não gosto”. Na casa onde a Norte Energia a colocou, no reassentamento urbano Jatobá, há problemas de abastecimento de água. Ela relatou passar até uma semana sem água. A inspeção visitou dona Cláudia no dia 2 de junho. Hoje (3) a casa dela foi demolida pela Norte Energia.

O pescador José Arnaldo da Costa Pereira recebeu R$ 24 mil por tudo que conquistou em uma vida de trabalho. Mas não é a quantia irrisória que o incomoda. “Tiram a gente do sossego da gente, onde a gente tem nossos pés de macaxeira, nossas galinhas, onde nasceu e criou os filhos para mandar a gente pra cidade e ficar naquela zoada, com ladrão para todo lado. Eu sou pescador e não tenho de onde tirar meu sustento a não ser no rio”, disse à equipe de inspeção.

No beiradão chamado Bom Jardim, Maria Carmina Souza da Silva e Antonio Carlos Souza da Silva vivem há 38 anos em um sítio com galinhas, pés de cupuaçu, cacau, acerola, laranja, limão. Na roça plantam arroz, feijão, milho, mandioca. No rio pescam piau, matrinchã, curimatã, pescada e pacu. Segundo a Norte Energia, o sítio vai ser alagado e eles terão que se mudar para a beira de uma estrada. Como não foram considerados pela empresa merecedores de uma casa, receberam uma indenização que teve que ser dividida entre os irmãos e a parcela deles não é suficiente para comprar um terreno.

Além da retirada da casa e do sustento dos pescadores e ribeirinhos, existem situações não reconhecidas de dupla moradia, de moradores dos rios da região que sempre mantiveram casa em Altamira para resolver questões na cidade. São extrativistas de vários locais que foram obrigados a optar entre uma casa ou outra, apesar de ambas serem de propriedade deles. “Quando você diz para um pescador que ele tem que escolher entre ser rural e ser urbano, você está dizendo qual parte dele ele vai abrir mão, o que implica em deixar de ser pescador”, diz a procuradora Thais Santi. A casa na cidade faz parte das posses das famílias ribeirinhas e é necessária para acessar equipamentos públicos, para que os filhos estudem, para a venda dos produtos da terra e do rio.

“O conceito de moradia aplicado pela Norte Energia está desassociado da realidade da região. A realidade da região não foi estudada, não está sendo respeitada e com isso está se tolhendo as pessoas de continuarem sendo pescadores. Como pode, a um pescador que nasceu e cresceu no rio e quer continuar sendo pescador, vocês darem a opção de morar na Transamazônica? Não existe nenhuma oferta próxima ao rio”, questionou Santi.

“A situação que vimos, de pessoas humilhadas, violadas, afrontadas pelo empreendedor torna Belo Monte um dos piores exemplos de licenciamento de hidrelétricas no país. As violações que constatamos são até mais graves do que em usinas feitas durante a ditadura militar. Não se pode destruir o modo de vida de populações tradicionais, eliminar tradições, conhecimento tradicional e o sustento dessas pessoas ”, disse o procurador Felício Pontes Jr, que também participou da inspeção.

O resultado foi apresentado na quarta-feira (3) à Norte Energia em reunião com o superintendente de assuntos fundiários da empresa, Arlindo Miranda. “Nossa orientação é debater sempre, desde que não interfira na autonomia da empresa. Existem os interesses dos acionistas, então não temos autonomia para compor determinados compromissos”, disse. Um relatório consolidado da inspeção deve ser enviado aos órgãos do governo responsáveis pela usina até a semana que vem. Enquanto a situação não é corrigida, o MPF vai recomendar a suspensão das remoções de ribeirinhos.


Fonte: MPF