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sábado, 4 de abril de 2020

SAIBA COMO FUNCIONA O PCR, O EXAME QUE DETECTA O NOVO CORONAVÍRUS...





  Nicola Ferreira
Da Agência Einstein
17/03/2020 11h26
O Hospital Israelita Albert Einstein decidiu ontem (16) suspender a realização de exame PCR para detecção do vírus causador da covid-19 em indivíduos assintomáticos, sintomáticos leves, com pedido médico e também a coleta domiciliar de amostras para a execução do teste.
O objetivo é usar o recurso apenas nos casos graves, que necessitam de internação. A medida foi tomada como forma de racionalizar a utilização do teste e evitar seu desabastecimento. O hospital tem a capacidade de realizar cerca de 3.500 por dia. O número de exames diários aumentou gradualmente, atingindo a marca de 1.700 no último fim de semana.
O teste é a resposta final e precisa sobre a presença do vírus na amostra analisada. Foi por meio dele que, no dia 24 de fevereiro, confirmou-se primeiro caso da covid-19 no país. A identificação ocorreu no laboratório da instituição, utilizando a técnica conhecida como RT-PCR (sigla em inglês para transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase).
O método, utilizado em laboratórios desde 1983, pode ser aplicado em diversas áreas da pesquisa e do diagnóstico, como detecção de outros vírus, além de estar em avaliação para uso da análise do perfil genético de tumores.
Como funciona?
A primeira ação do RT-PCR é o uso da enzima transcriptase reversa para transformar o RNA do vírus em DNA complementar, também chamado de cDNA. O RNA é produzido a partir de uma molécula de DNA e apresenta informações com as quais é possível coordenar a produção das proteínas. Depois de ter sido transformado, são inseridos dois primers, que é uma fita simples de DNA, para auxiliar a amplificação do material genético em 100 milhões de vezes.
Com uma sonda complementar ao vírus procurado é possível observar se o conteúdo molecular é correspondente ao do agente infeccioso que os pesquisadores estão investigando.
Passo a passo do PCR
·         Transforma RNA do vírus em DNA
·         DNA é ampliado utilizando fitas de DNA simples
·         Observa se há sinais do vírus nas amostras
·         Se for positivo, é confirmada a suspeita de coronavírus



A GRANDE MATANÇA CHINESA DE CACHORROS PARA SEREM COMIDOS NA FESTA DE YULIN.


EL PAÍS
21 JUN 2018 - 16:44 BRT


Vários açougueiros com cães sacrificados no mercado de Yulin, nesta quinta-feira
TYRONE SIU / REUTERS


Mais uma vez neste ano, desafiando proibições e alertas sanitários, a cidade chinesa de Yulin realiza nesta quinta-feira, coincidindo com o solstício de verão, seu Festival da Carne de Cachorro e Licor de Lichia, onde milhares de cães serão sacrificados para serem preparados e devorados pelo público. No passado, costumava-se abater 10.000 cachorros durante o festival, mas nos últimos anos a cifra se reduziu para cerca de mil, segundo os organizadores. Mesmo assim, no mundo ocidental, onde o cão é considerado o melhor amigo do homem, as imagens de cachorros enjaulados, decapitados, assados e destrinchados são difíceis de digerir.
O festival de Yulin, na região autônoma de Guangxi (sudeste), por enquanto resiste à lei que proíbe a venda de carne de cachorro em restaurantes, mercados e outros comércios do país, assim como à mobilização de muita gente contrária à matança. Milhões de assinaturas (a última contagem somava 12 milhões) foram recolhidas na China e no resto do mundo para acabar com o sacrifício maciço de cães.
Um simples passeio pelo mercado Dashichang basta para conhecer a magnitude da matança. Cães e gatos (estes em menor quantidade) se amontoam em jaulas nas bancas, ou já sacrificados nos açougues, e são exibidos assados. Além disso, é fácil ver tanto pessoas comendo-os e brindando com licor como ecologistas e animalistas comprando animais ainda vivos para salvá-los. Um cachorro custa cerca de 45 reais neste mercado.

Esta foto do mercado é desta terça-feira.PAK YIU / AFP


O que muitos desconhecem é que grande parte dos cães que acabam servidos neste festival são obtidos ilegalmente, pois costumam ser animais que vivem nas ruas ou foram roubados de seus donos. “Existem graves riscos para a saúde pública associados aos cães roubados que são abandonados e não vacinados e que podem hospedar doenças, inclusive a raiva. Ou mesmo que sejam envenenados com cianureto pelos ladrões e que posteriormente entrem na cadeia alimentar”, disse a diretora da organização Animal Asia, Jill Robinson, à agência Efe.

Gatos e cães à venda no mercado.PAK YIU / AFP




A conscientização social sobre o “mercado negro” criado por este festival também está presente nas ruas de Yulin, onde há cartazes nos quais se lê: “Resista ao festival da carne de cachorro e resgate os cães”. Não há na China uma legislação que proteja esses animais, cada vez mais populares como mascotes entre a crescente classe média local, e nem sequer a circunstância de que 2018 seja um ano do cachorro, segundo o horóscopo chinês, serve para estimular essa proteção.

Os defensores do festival afirmam que comer cachorro – 10 milhões desses animais são consumidos por ano na China, segundo as organizações defensoras dos animais – é uma tradição na região de Guangxi, e que não é diferente de se alimentar de outras espécies criadas para esse fim. Apesar da crença popular de que na China se come carne de cachorro de maneira generalizada, ela só é consumida em algumas áreas do sul do país, como Guangxi, Guizhou e Cantão, e em áreas do nordeste habitadas pela etnia coreana.





ESPECIALISTA ENSINA A REFORÇAR O SISTEMA IMUNOLÓGICO PARA DIFICULTAR A CONTAMINAÇÃO PELO CORONAVÍRUS

Além de cuidados com higiene e ambientes limpos, alimentos que fortalecem as defesas do organismo e buscar a harmonia entre corpo e mente são fatores cruciais no enfrentamento da doença.


postado em 13/03/2020 11:07 / atualizado em 13/03/2020 11:20
(foto: Freeimages.com)



Desde que o novo coronavírus surgiu, na China, e rapidamente se espalhou pelo mundo, se aproximando cada vez mais dos brasileiros, autoridades e órgãos de saúde estão em alerta máximo. A velocidade da disseminação do Covid-19 chama para a necessidade de adotar uma série de cuidados. E a prevenção não passa apenas por medidas de higiene e limpeza de ambientes. Em outro aspecto, surge a atenção com o sistema imunológico, que precisa ser fortalecido, já que responde pela proteção do organismo e pode evitar ataques de vírus e bactérias. Em um espectro ampliado, tudo parte mesmo pelo delicado equilíbrio entre corpo e mente.

É o que explica o terapeuta quântico, especialista em saúde integral, diretor de prevenção a doenças no Instituto Mispá e bacharel em Educação Física pela PUC de Campinas, Fernando Facini. "O surgimento do novo vírus e a pandemia que enfrentamos hoje decorrem de um grande desequilíbrio ambiental, que permitiu a sua multiplicação em um ambiente lotado de pessoas com sistemas imunológicos debilitados ou incapazes de conhecerem esta classe de microorganismos como sendo de alto risco", esclarece.


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Como falar sobre o coronavírus com as crianças? Professora lança cartilha educativa sobre o tema

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O coronavírus no ambiente escolar: como tratar o tema com as crianças, ensinar sobre prevenção e evitar o medo

Nesse sentido, continua o especialista, ações preventivas podem minimizar esses fatores. Segundo Fernando, a atitude mais assertiva é reforçar as defesas do organismo, na tentativa de frear ameaças externas. "Nos seres humanos, as baixas atividades imunológicas ocorrem quando há desequilíbrios fisiológicos e emocionais", pontua.

E tudo começa na comida, já que o intestino é um grande responsável pelo processo imune. "É necessário cuidar da qualidade dos alimentos que colocamos na nossa mesa e manter em equilíbrio as emoções e pensamentos. Esta, certamente, é a parte mais difícil", acrescenta Fernando.



Evitar alimentos industrializados e fontes de carboidratos simples, como açúcar refinado e os sucos industrializados compostos por néctar, entre outras atitudes, é imprescindível, principalmente considerando que mais da metade dos indivíduos apresenta alguma deficiência em relação aos bacilos que formam e promovem a microbiota intestinal. Nessa perspectiva, o terapeuta elenca alimentos indispensáveis na promoção da saúde e fortificação da imunidade: inhame, rabanete, nabo, couve, brócolis e vegetais escuros, frutas cítricas, como limão e laranja, tomate e linhaça, entre outros.

Outros aliados do sistema imune são os complementos alimentares, como ômega-3, lactobacilos e fibras alimentares. Em cápsulas ou na forma de chás, a cúrcuma, a maca peruana, a equinácea, o ginseng, o gingko biloba, o astragalus, o anis estrelado e a erva moura também pesam na construção da saúde.

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De acordo com Fernando, outro passo importante é controlar o estresse, pois um dos hormônios liberado nessas condições é o cortisol que, em desequilíbrio, interfere na qualidade do sono, o que pode resultar na predisposição a contaminações. "Sabemos que, em tempos modernos, é difícil se manter livre do estresse e até mesmo desfrutar de uma boa noite de sono, mas esses são fatores preponderantes para que o nosso organismo esteja forte. Um caminho para quem precisa atingir esse estágio é a prática diária de atividade física. Além de preparar o corpo, a liberação de endorfina ajuda a combater o estresse e a melhorar a qualidade do sono. Tudo está interligado", salienta.




Outros cuidados referem-se ao ambiente. Tão importante quanto higienizar constantemente as mãos e evitar ambientes abafados, é bom evitar também pessoas, relacionamentos e ambientes emocionalmente "tóxicos". Mais um fator fundamental, acrescenta o especialista, é evitar a contaminação eletromagnética, mantendo o celular longe do corpo sempre que possível e, à noite, fora do quarto.

"A exposição (com proteção) ao sol e a ambientes naturais é tão vital quanto selecionarmos melhor as informações e programas que assistimos, além das músicas que ouvimos. A boa noite de sono, cada vez mais rara, tem valor fundamental para o nosso equilíbrio. No mais, procure manter a mente em constante funcionamento, seja estudando idiomas, culturas ou tocando algum instrumento musical. E tente, sempre que possível, trabalhar menos e viajar mais", finaliza.

Fonte: https://www.em.com.br/app/noticia/bem-viver/2020/03/13/interna_bem_viver,1128538/especialista-ensina-a-reforcar-o-sistema-imunologico-para-dificultar-a.shtml

ALEMANHA TEM SE MOSTRADO UM EXEMPLO NO COMBATE AO CORONAVÍRUS


A cada 100 mil cidadãos alemães, 33 têm a doença, mas o número de mortos é considerado baixo em relação ao de infectados.

Postado em 27/03/2020 04:00


Em Berlim, moradoras usam máscaras cirúrgicas: isolamento e testagem em massa desaceleram o contágio(foto: John MacDougall/AFP)


Berlim – Os números de casos de coronavírus na Alemanha aumentam a cada dia. Mesmo assim, a nação mais populosa da União Europeia tem sido referência na administração da doença, pelo fato de a quantidade de mortes não crescer na mesma velocidade que em outros países, incluindo vizinhos como a Itália e a Espanha. Isso apesar de a chanceler Angela Merkel não ter estabelecido um toque de recolher, como fizeram outros povos, incluindo vários com menos casos da Covid-19. São 36.508 infectados na Alemanha, número que cresce a cada dia. O respeito ao isolamento social e o grande volume de testes são fatores que contribuem com os bons resultados no país.

A cada 100 mil cidadãos alemães, 33 têm a doença. O total de mortes está em 198. De acordo com o instituto, a média de idade dos infectados é de 45 anos, e a dos que morreram, 82. Em entrevista transmitida pela internet na segunda-feira, o presidente do Instituto Robert-Koch, Lothar Wieler, respondeu a perguntas de jornalistas enviadas eletronicamente. Um ponto positivo da gestão alemã é que as autoridades consultam constantemente especialistas de saúde de instituições públicas como a representada por Wieler, deixando-se influenciar pelas recomendações. Há semanas, ele e representantes do governo alemão batem na tecla de que o vírus continuará a se espalhar e que a melhor estratégia é retardar o avanço.

“A epidemia continua a avançar em todo o mundo. Na Alemanha, como esperado, cresce o número de casos”, comentou. “Ainda é cedo para ver resultados concretos, mas percebemos uma tendência de que a curva de crescimento da doença começa a se achatar. Estou otimista de que as medidas tomadas comecem a fazer efeito.”. Nesta semana, começou a valer a proibição para reunião com mais de duas pessoas. Todos os restaurantes foram fechados, exceto para entregas. Foi proibido o funcionamento de comércios não essenciais. Apesar disso, os moradores podem sair de casa para fazer esportes, tomar ar, trabalhar e fazer compras de supermercado.

Na avaliação de Wieler, as medidas são importantes, mas é preciso tomar outras para aumentar o distanciamento social. “A mobilidade na Alemanha reduziu, mas não o suficiente”, aponta. A taxa de mortalidade do novo coronavírus no país, em comparação com o número de casos, é inferior à do Brasil. Para alcançar esse resultado, Lothar Wieler destacou a importância de identificar o maior número de doentes o mais cedo possível para isolá-los, além de testar as pessoas que tiveram contato com eles e colocá-las em quarentena. “Temos, na Alemanha uma grande capacidade de testes, e ela está sendo continuamente aumentada”, informou Wieler.

O país aumentou o número de testes da COVID-19 para 500 mil por semana, em uma estratégia de detecção precoce que ajuda a manter o número de mortes relativamente baixo. A Alemanha, muito afetada pela epidemia do novo coronavírus com 36.508 casos declarados atualmente, registra apenas 198 mortes pela doença. O país tem de fato uma das menores taxas de mortalidade da COVID-19 no mundo, com 0,5%, enquanto na Espanha chega a 7%.



segunda-feira, 30 de março de 2020

CORONAVÍRUS: CÂMARA APROVA PROJETO QUE PREVÊ R$ 600 POR MÊS PARA TRABALHADOR INFORMAL



Texto vai ao Senado e prevê repasse por 3 meses. Autônomo deverá cumprir requisitos como ter mais de 18 anos e não receber benefício previdenciário ou assistencial.
Deputados no plenário da Câmara durante a sessão desta quinta-feira (26) 

— Foto: Michel Jesus/ Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (26) um projeto que prevê o pagamento de R$ 600 a trabalhadores informais por três meses em razão da pandemia do coronavírus. A mulher que for mãe e chefe de família poderá receber R$ 1,2 mil. A proposta do governo era de R$ 200 para os trabalhadores informais, o Congresso passou para R$ 600.

Com a aprovação, o texto seguirá para votação no Senado. Ainda não há data definida para a análise pelos senadores. O pagamento do auxílio emergencial é limitado a duas pessoas da mesma família.

Segundo estimativa preliminar da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, o impacto fiscal com o auxílio para a União será de R$ 43 bilhões por três meses. O cálculo não considera ainda as mães chefes de família que poderão receber o auxílio em dobro.

Pela proposta, poderá receber o montante o autônomo que não receber benefícios previdenciários, seguro desemprego nem participar de programas de transferência de renda do governo federal, com exceção do Bolsa Família.

Desde a semana passada, a Câmara e o Senado tem aprovado projetos relacionados ao combate do coronavírus e dos efeitos provocados pela crise.

Em razão das medidas de prevenção contra o coronavírus, a sessão desta quinta foi parcialmente virtual, com a presença de apenas alguns deputados no plenário. Os demais acompanhavam por videoconferência.

Entenda o projeto

O projeto altera uma lei de 1993 que trata da organização da assistência social no Brasil. De acordo com o texto, o dinheiro será concedido a título de “auxílio emergencial” por três meses ao trabalhador que cumprir os seguintes requisitos:

    *for maior de 18 anos;
   * não tiver emprego formal;
  *  não for titular de benefício previdenciário ou assistencial, beneficiário do seguro-desemprego ou de programa de transferência de renda federal, ressalvado o bolsa-família;
    *cuja renda mensal per capita for de até meio salário mínimos ou a renda familiar mensal total for de até três salários mínimos;
    *que não tenha recebido em 2018 rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559,70.

Outros requisitos para receber o auxílio é:

    *exercer atividade na condição de Microempreendedor Individual (MEI) ou;
    *ser contribuinte individual do Regime Geral de Previdência Social ou;
    *ser trabalhador informal, de qualquer natureza, inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal até 20 de março de 2020.

Apesar de a previsão inicial de pagamento do auxílio ser por três meses, o relator da proposta, Marcelo Aro (PP-MG), disse que a validade do auxílio poderá ser prorrogada de acordo com a necessidade.

O projeto estabelece ainda que só duas pessoas da mesma família poderão acumular o auxílio emergencial.

Para quem recebe o Bolsa Família, o texto ainda permite que o beneficiário substitua temporariamente o programa pelo auxílio emergencial, se o último for mais vantajoso.

Inicialmente, o auxílio previsto no parecer do relator era de R$ 500, mas, após a articulação de um acordo com o governo federal, o valor passou a ser de R$ 600.

Pouco antes, em uma live realizada pelo Facebook, o presidente Bolsonaro havia dito que, após conversar com o ministro da Economia, Paulo Guedes, o governo defendia inicialmente que o auxílio fosse de R$ 200, “ele resolveu triplicar”. “Deu o sinal verde”, acrescentou Bolsonaro.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), elogiou a construção de um acordo entre Legislativo e Executivo, relação geralmente marcada por atritos. Maia ponderou que, mesmo com divergências, é preciso haver um ambiente de diálogo para buscar soluções para “salvar vidas e encontrar o melhor caminho para que a economia sofra menos”.

BPC

O projeto de lei pretende ainda resolver um impasse em relação ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), que é pago, no valor de um salário mínimo por mês, a idosos ou pessoas com deficiência de baixa renda.

O Congresso Nacional havia ampliado o limite de renda para ter direito ao pagamento do benefício, que valeria já para este ano. Com isso, mais pessoas passariam a ser beneficiadas, elevando as despesas públicas.

O presidente Jair Bolsonaro vetou o projeto alegando que não havia sido indicada fonte de receita, mas os parlamentares depois derrubaram esse veto.

O governo federal, então, recorreu ao Tribunal de Contas da União (TCU) para que a ampliação do limite valesse apenas a partir do ano que vem.

O ministro do TCU Bruno Dantas atendeu o pedido do governo, mas, no último dia 18, voltou atrás e suspendeu a sua decisão por 15 dias.

O projeto aprovado nesta quinta pela Câmara tenta resolver esse imbróglio. O texto define a partir de quando as novas regras passarão a valer. A proposta, porém, cria exceções diante da crise do novo coronavírus.

Pelo projeto, terão direito ao benefício pessoas com mais de 65 anos ou com deficiência que tenham renda familiar per capita:

    igual ou inferior a um quarto do salário-mínimo, até 31 de dezembro de 2020;
    igual ou inferior a meio salário-mínimo, a partir de 1° de janeiro de 2021.

No entanto, diante da pandemia do coronavírus, o projeto abre brecha para ampliar o critério da concessão de benefício ainda neste ano.

O benefício poderá ser concedido para quem recebe até meio salário mínimo per capita, em escala gradual a ser definida em regulamento, de acordo com uma série de fatores agravados pela pandemia, como comprometimento socioeconômico familiar.

Antecipação

O projeto também prevê a antecipação do pagamento do auxílio para quem ainda está na fila do BPC para pessoa com deficiência e do auxílio-doença. No caso do BPC, o projeto prevê pagamento de R$ 600. Para o auxílio-doença, o valor é de um salário mínimo.

Metas

A Câmara votou ainda um projeto de lei que suspende por 120 dias, a contar do dia 1º deste mês, a obrigatoriedade de manter as metas quantitativas e qualitativas exigidas de entidades de saúde que prestam serviço no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O texto vai ao Senado.

Autor do projeto, o deputado Pedro Westphalen (PP-RS) argumenta que, devido à pandemia de coronavírus no país, os hospitais tiveram que redirecionar sua atuação.

Ele pondera que cirurgias marcadas, por exemplo, têm sido canceladas para priorizar o atendimento aos pacientes com Covid. E, por essa razão, os prestadores não têm mais condições de cumprir as metas nesse período.

Como o repasse de recursos é condicionado ao cumprimento das metas, o objetivo do projeto é garantir que as entidades continuem recebendo a verba.

Atestado

A Câmara também aprovou projeto de lei apresentado pelo deputado Alexandre Padilha (PT-SP) que dispensa o trabalhador que estiver doente de apresentar atestado pelo prazo de sete dias, em situação de emergência de saúde, pandemia ou epidemia quando houver imposição de quarentena.

A partir do oitavo dia, no entanto, o empregado precisará apresentar documento de uma unidade de saúde ou um atestado eletrônico, regulamentado pelo Ministério da Saúde, que comprove seu estado de saúde.


Por Luiz Felipe Barbiéri, Fernanda Calgaro e Elisa Clavery, G1 e TV Globo — Brasília

26/03/2020 21h26

MPF PEDE INVESTIGAÇÃO FEDERAL SOBRE EXPEDIÇÃO DE MISSIONÁRIO AMERICANO A TERRAS INDÍGENAS COM POVOS ISOLADOS NA AMAZÔNIA



Imagem do perfil de Andrew Tonkin nas redes sociais Foto: Reprodução Facebook

Em tempos de coronavírus, contato pode desencadear grande mortandade ou mesmo dizimar populações inteiras, sustenta PGR; religioso tem 24 horas para prestar esclarecimentos

RIO –  O Ministério Público Federal (MPF) pediu abertura de inquérito à Polícia Federal para investigar a denúncia feita por lideranças indígenas sobre uma expedição preparada pelo missionário americano Andrew Tonkin a terras indígenas no Vale do Javari, na Amazônia. Nesta terça-feira, O GLOBO mostrou que representantes dos povos  Marubo e Mayoruna (Matsés) tiveram acesso a reuniões na qual religiosos estrangeiros se organizavam para seguir viagem com a missão de contatar índios isolados na região, o que fere a política de não contato  estabelecida pela Constituição de 1988.

A 6ª Câmara de Coordenação e Revisão de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais deu até as 16h desta quinta-feira para que o missionário preste esclarecimentos ao MPF. A Funai também foi notificada para se manifestar sobre a denúncia dos indígenas da região. De acordo com o o MPF, em tempos de coronavírus, a expedição pode representar “grave risco à saúde dos indígenas, uma vez que são  extremamente vulneráveis a doenças, podendo seu contato desencadear grande mortandade ou mesmo dizimar populações inteiras”.

Índios Korubo contatados em 2015: a lei determina que iniciativas de aproximação com grupos isolados devem partir deles próprios, cabendo ao governo federal proteger suas terras Foto: Funai/Agência O Globo.

Deputado usa motosserra contra bloqueio em Terra Indígena de Roraima; assista
O deputado estadual Jeferson Alves (PTB-RR) serra o tronco e corta a corrente que bloqueava o acesso à BR-174, onde vivem os índios Kinja, na TI Waimiri-Atroari Foto: Divulgação
‘Um índio pode morrer em 24 horas após contrair uma gripe’, diz ex-presidente da Funai

‘Nunca vi um presidente da Funai que não gosta de índio’, afirma subprocurador

O subprocurador-geral da República responsável pela 6ª Câmara,  Antônio Bigonha, argumenta no ofício que além de riscos à saúde dos índios e outras ilegalidades,  a entrada sem autorização por esses missioários em território indígena pode configurar crime contra a saúde pública.

Andrew terá que se manifestar sobre o conteúdo da reportagem do GLOBO e informar se tem autorização oficial para ingresso em terra indígena, quem financia a referida expedição e, ainda, o nome de possíveis outras pessoas envolvidas na jornada.

Questionada, a Funai diz que não foi consultada para entrada de missionários em terras indígenas no Vale do Javari.

“Convém ressaltar que o ingresso em Terra Indígena sem autorização configura invasão de território da União e tem suas consequências legais”, diz a nota do órgão.

Ao GLOBO Tonkin chamou de “fofoca” as acusações e afirmou que as pessoas só “pensam em dinheiro”. Ele alega que está no Iraque, mas não disse quando teria viajado e nem o motivo. Nas redes sociais, o missionário postou imagens caminhando por uma cidade do oriente médio. As lideranças indígenas dizem que ele mente e está em Benjamin Constant, cidade próxima à Atalaia.

Drones, GPS e telefone por satélite

 

Relatos de lideranças dos povos  Marubo e Mayoruna (Matsés) apontam que o religioso reuniu índios convertidos e outros integrantes da organização “Frontier International” durante as últimas semanas para fazer uma expedição ao Igarapé Lambança, território habitado por indígenas não contatados, localizado no interior do Vale do Javari.

Conflito por terra: Um terço dos assassinatos de índios no Brasil é registrado no Maranhão

“Eles estão comprando lanterna e equipamentos para tentar entrar novamente. Andrew disse que já recebeu a autorização dos céus, lá em cima, e não tem lei maior que essa que possa proibir a sua entrada”, revela ao GLOBO um religioso indígena que teve acesso à reunião de missionário estrangeiro com outro pastor conhecido como Josiash Mcintyre.


Hidroavião monomotor usado pelos missionários nos sobrevoos às aldeias no Vale do Javari . Na foto, Wilson Kannenberg e Andrew Tonkin atrás do indígena Foto: Facebook/Reprodução


A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) confirmou que foi avisada sobre os planos dos missionários liderados por Tonkin.

– Eles vêm promovendo reuniões com alguns indígenas em Atalaia do Norte, sobretudo, os catequizados, com a finalidade de organizar uma entrada ilegal na Terra Indígena Vale do Javari – afirma o coordenador da Univaja, Paulo Marubo.

– Já existe uma logística toda elaborada para acessar os isolados do Lambança – afirma Marubo . – Eles têm armas de fogo, drones, computadores, GPS e telefone por satélite.

O GLOBO apurou que eles pretendem utilizar o mesmo hidroavião monomotor com que já fizeram outras investidas para chegar ao povo Korubo, que habita o Igarapé Lambança. A aeronave pertenceria ao líder religioso Wilson Kannenberg.

‘Tocar fogo’

Após a publicação da reportagem do GLOBO, a Univaja relatou ter sofrido nesta quarta-feira ameaças de um dos religiosos lilgados a Tonkin. “As 17:00hs o pastor Josias norte-americano acompanhado por um jovem indígena Marubo por nome de Marcelo Marubo que reside no BR 307, ( Maloca do Estêvão) invadiu a UNIVAJA e ameaçou a equipe da UNIVAJA e ainda disse para os mesmos que vai tocar fogo no prédio da UNIVAJA.”

Tonkin foi denunciado ao Ministério Público Federal (MPF), à Funai e à Polícia Federal (PF) em duas tentativas de entrar ilegalmente em terras indígenas. No ano passado, ele entrou sem autorização na região onde vivem os isolados perto do rio Itacoaí, oeste do Amazonas.

– Ele pretendia fazer contato com os isolados Korubo e foi visto em meados de setembro acompanhado de um pastor indígena Mayouruna — afirmou ao GLOBO o coordenador da Univaja, Paulo Marubo.

Em fevereiro, O GLOBO mostrou que a investida de evangelizadores na região já atinge 13 dos 28 povos reconhecidos em situação de total isolamento. Além do Javari, com o registro de ameaça a 10 povos confirmados, há ainda outras ocorrências nas terras indígenas Mamoadate, na Cabeceira do Rio Acre, e Hi-Merimã, no Rio Purus (AM).

A lei brasileira determina que iniciativas de contato com os grupos de isolados devem partir deles próprios, cabendo ao governo federal proteger e demarcar suas terras, não sendo permitido o ingresso de missionários religiosos, madeireiros, garimpeiros e outras pessoas desautorizadas nas terras indígenas.
Americano se reuniu na Funai

A Funai confirma que Tonkin já foi chamado a prestar esclarecimentos em sua sede, em Brasília.

Ele, no entanto, nega que tenha ido a Brasília para isso.

– Fui conversar com lideranças da Funai sobre parcerias que podem ser feitas para trabalhar juntos, trazendo educação e esperança para aquelas comunidades que estão sofrendo por causa de alcoolismo, drogas, suicídio e abuso – disse ao GLOBO em fevereiro.

– Estive na capital no ano passado se não engano era a mês de novembro por aí, conversei com Dr. Badaró, Dr. Almeida, e Dr. Freitas. Eles me deram boas informações e orientações.

Badaró foi nomeado assessor direto do presidente da Funai, Marcelo Augusto Xavier da Silva. Formado em Antropologia, ele foi indicado para acompanhar estudos e pesquisas do órgão, incluindo as de demarcações de terras indígenas. Ele já disse em entrevista ser contra a delimitação dessas áreas.

“Ele esteve em nossa sede tão somente no âmbito da Ouvidoria do órgão e não foram encaminhadas ou estabelecidas quaisquer parcerias com o Sr. Andrew Tonkin”, diz a Funai.

No site Frontier International Mission que se intitula “um ministério batista de livre arbítrio”, cujo lema é “conhecê-lo é fazê-lo saber”, Tonkin aparece como líder missionário.

Coronavírus é ameaça

O MPF apura ao menos 21  denúncias envolvendo missões religiosas em Terras Indígena, entre elas casos envolvendo a Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB), onde atuou o ex-missionário e hoje coordenador da área de indígenas isolados da Funai, Ricardo Lopes Dias.

Também em fevereiro, a revista “Época” revelou que a MNTB adquiriu a compra de um helicóptero, avaliado em R$ 4 milhões,  para auxiliá-los na evangelização de índios isolados.

A MNTB atua na evangelização de índios na Amazônia desde os anos 1950. Tonkin afirma que tem ligação com a organização religiosa, que nega. “Queremos afirmar que o missionário Andrew Tonkin nunca fez parte do corpo de missionários da MNTB, sequer mantendo vínculo com a missão”, afirma o presidente da organização, Edward Luz. Em nota a entidade, diz que não trabalha com povos isolados, sem contato.

– A nossa preocupação é que em pleno contexto de pandemia do coronavirus ainda há a insistência de grupos proselitistas fundamentalistas atuando com esse fim, uma  atitude irresponsável e criminosa – afirma Marubo.

Nesta segunda-feira, após recomendação do MPF,  a Funai recuou da portaria que estabelecia medidas temporárias de combate ao novo coronavírus, que contrariava o próprio regimento do órgão ao tirar da Coordenação-Geral de Índios Isolados a atribuição de contatar esses povos.

O MPF sustentou na recomendação que as coordenações regionais “não têm entre suas atribuições a competência para executar ações de contato e pós contato, nem dispõem, no seu quadro de pessoal, de servidores com capacitação específica para lidar com as especificidades das políticas voltadas aos povos isolados e de recente contato, especialmente em situação de crise epidemiológica”.

Em sua publicação das medidas temporárias de prevenção à infecção e propagação da Covid-19, o artigo 4º da portaria determinava a suspensão de todas as atividades que implicassem no contato com comunidades indígenas isoladas, porém, estabeleceu que essa suspensão seria revista se tivesse autorização das coordenações regionais “caso a atividade seja essencial à sobrevivência do grupo isolado”.

A nova portaria devolve a atribuição de analisar situações de extrema urgência à coordenação-geral e anula as iniciativas de contato com as comunidades indígenas isoladas. “Ficam suspensas todas as atividades que impliquem o contato com comunidades indígenas isoladas”.

De acordo com o MPF, uma ação de contato por instância sem capacidade legal e técnica para tomar decisões referentes aos povos isolados “pode agravar a exposição à Covid-19 de povos que já têm pouca ou nenhuma capacidade de resposta imunológica ao vírus”.


Fonte:O GLOBO/Daniel Biasetto

26/03/2020 – 09:18