O jogo político é complicado, e exercer uma
função política hoje, no Brasil, não é
nada fácil. Conheço várias pessoas cristãs, boas, de fé, que foram
eleitas para um cargo público e se decepcionaram e acabaram renunciando, tendo
em vista o mar de corrupção que encontraram pela frente. Outros, infelizmente,
acabam cedendo ao “jogo político” nem sempre limpo. O sistema político viciado
corrompe a pessoa se ela não for muito forte e íntegra. É quase impossível hoje
atuar na política sem aceitar certos pactos e negociatas.
O que fica claro é que para se candidatar a
um cargo político, não basta ser cristão, não basta ter boa vontade e honestidade; é preciso
preparo, conhecer os meandros da vida política, as leis, e estar amparado em
uma boa base de sustentação, fruto de um bom trabalho comunitário. Não adianta
se lançar sozinho e achar que vai enfrentar uma situação difícil e conseguir
fazer a transformação da sociedade, sozinho, doce ilusão. Uma andorinha não faz
verão. Então, o que é preciso?
É preciso ter base política, estar amparado
por um Projeto consistente, amparado pela comunidade, onde muitos participam em
conjunto, apoiem os candidatos escolhido pela comunidade, e lutem por sua
eleição, carregando os candidatos, de rua em rua, de casa em casa, de pessoa a
pessoa. Assim, eles, escolhidos pela comunidade, serão apoiados por ela em
todas as necessidades: financeira, legal, administrativa… Logo, esses
candidatos não precisarão correr atrás de corporações que banquem suas
campanhas, ficando presas a elas se eleitos.
Não adianta simplesmente lançar vários
candidatos cristãos numa mesma região, sem ter conhecimento de quantos será
possível eleger. Acaba que vários saem candidatos, tornam-se adversários nas
urnas e nenhum deles acaba sendo eleito.
Mas, para isso é preciso um trabalho de
comunidade, de humildade, de abrir mão de uma candidatura tendo em vista um
projeto mais amplo e mais real. Isso exige caridade, amor, renuncia a si mesmo
diante de um bem maior para a comunidade. Isso exige que os candidatos sejam
cristãos de verdade. Que não queiram ser candidatos simplesmente para terem uma
profissão. Não. É preciso ser candidato para servir a Deus, ao povo, e ao Reino
de Deus. Neste caso, o exercício da política será um verdadeiro sacerdócio, um
verdadeiro martírio de trabalho, luta e abnegação. Por amor a Deus e ao
próximo.
Paulo VI já disse uma vez que “não há solução
fácil para problema difícil”; é o que estamos enfrentando na política em nosso
país; o mal é grave, a solução é difícil. Ninguém se iluda de que sozinho vai
salvar a Pátria. Deve-se candidatar a um cargo público quem tem vocação para a
vida pública, mas ciente de tudo isso que foi refletido acima. Se prepare e
busque um projeto consistente para atuar.
Categoria: Artigos
Publicado em 22 de agosto de 2014
Prof. Felipe Aquino
Nenhum comentário:
Postar um comentário