

Com a redemocratização do Brasil e a
promulgação da Constituição de 1988, vários segmentos da sociedade, inclusive
os movimentos sociais, como o Movimento Negro, obtiveram maior espaço no âmbito
das discussões e decisões políticas. A lei de preconceito de raça ou cor (nº
7.716, de 5 de janeiro de 1989) e leis como a de cotas raciais, no âmbito da
educação superior, e, especificamente na área da educação básica, a lei nº
10.639, de 9 de janeiro de 2003, que instituiu a obrigatoriedade do ensino de
História e Cultura Afro-brasileira, são exemplos de legislações que prevêem
certa reparação aos danos sofridos pela população negra na história do Brasil.
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COMENTÁRIO NOSSO: Uma pequena homenagem à
grandes amigos.
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Um dos principais historiadores que estudam e
revisam a história do Quilombo dos Palmares atualmente é Flávio dos Santos
Gomes, cuja principal obra é De olho em Zumbi dos Palmares: História, símbolos
e memória social (São Paulo: Claro Enigma, 2011). Flávio Gomes procurou, nessa
obra, realizar não apenas uma revisão dos fatos a partir do contato direto com
as fontes do século XVI e XVII, mas também analisar o uso político da imagem de
Zumbi. Segundo esse autor, o tio de Zumbi, Ganga Zumba, que chefiou o quilombo
e, inclusive, firmou tratados de paz com as autoridades locais, acabou tendo
sua imagem diminuída e pouco conhecida em razão da escolha ideológica de Zumbi
como símbolo de luta dos negros.
Além dessa polêmica, há também o problema
referente à própria estrutura e proposta de resistência dos quilombos no
período colonial. Historiadores como José Murilo de Carvalho acentuam que
grandes quilombos, como o de Palmares, não tinham o objetivo estrito de
apartar-se completamente da sociedade escravocrata, tendo o próprio Quilombo
dos Palmares participado do tráfico e do uso de escravos. Diz ele, na obra
Cidadania no Brasil: “Os quilombos que sobreviviam mais tempo acabavam mantendo
relações com a sociedade que os cercava, e esta sociedade era escravista. No próprio
quilombo dos Palmares havia escravos”. (CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no
Brasil. O longo Caminho. 3ª ed. Rio de
Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. p.
48).
As polêmicas partem de indagações como: “Se
Zumbi, que foi líder do Quilombo de Palmares, possuía escravos negros, a noção
de luta por liberdade nesse contexto era bem específica e não pode colocá-lo
como símbolo de resistência contra a escravidão”. A própria história da África
e do tráfico negreiro transatlântico revela que grande parte dos escravos que a
coroa portuguesa trazia para o Brasil Colônia era comprada dos próprios reinos
africanos que capturavam membros de reinos ou tribos rivais e vendiam-nos aos
europeus. Essa prática também ressoou como atestam alguns historiadores, em dada
medida, nos quilombos brasileiros.
Nesse sentido, a complexidade dos fatos
históricos nem sempre pode adequar-se a anseios políticos. Os estudos
históricos precisam dar conta dessa complexidade e fornecer elementos para
compreender o passado e sua relação com o presente. Entretanto, esse processo
precisa ser cuidadoso. O uso de datas comemorativas como marcos de memória
suscita esse tipo de polêmica, que deve ser pensada e discutida
criteriosamente, sem prejuízo nem das reivindicações sociais e, tampouco, da
veracidade dos fatos.
* Créditos da imagem: Commons
Por Me. Cláudio Fernandes
Postado por H. Marinho
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